Um desafio inusitado no cenário esportivo de Fortaleza
Imagine estar no ensino fundamental e receber o convite para enfrentar um time profissional de futebol. Parece impossível, mas foi exatamente isso que aconteceu com cerca de 140 crianças do Colégio Santa Cecília, em Fortaleza, há 15 anos. Em 2011, o Esportes O POVO organizou uma partida amistosa que marcou o Dia das Crianças de um jeito único: um confronto entre os pequenos jogadores da escolinha de futsal e o elenco profissional do Ceará, então disputando a Série A do Campeonato Brasileiro.
Detalhes da partida que surpreendeu o PV
O jogo aconteceu no Estádio Presidente Vargas (PV), com dois tempos de 14 minutos cada, sob um forte sol de sexta-feira à tarde. O calor não intimidou as crianças, que abriram o placar com menos de um minuto, levantando a torcida formada por familiares e amigos. Apesar da vantagem numérica do Santa Cecília, o Ceará igualou o marcador aos 4 minutos, em um contra-ataque puxado pelo atacante Roger.
A equipe profissional encontrou dificuldades para superar a marcação intensa, que envolvia de oito a dez crianças, incluindo o goleiro Fernando Henrique, que esteve cercado durante quase toda a partida. No segundo tempo, a garotada voltou a liderar o placar em meio a um bate-rebate na pequena área. O Ceará empatou novamente com uma jogada de Michel para Rafael.
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Com quatro minutos restantes, um jogador do Ceará cometeu falta dentro da área e foi expulso. Santa Cecília teve a chance de decidir a partida em um pênalti. Após muita disputa para escolher o cobrador, a bola passou pelo corredor polonês formado pelas crianças e entrou no gol, definindo a vitória por 3 a 2 dos pequenos contra o time profissional.
Origem da ideia e repercussão local
O desafio foi inspirado por uma experiência semelhante no Japão, onde o Cerezo Osaka venceu as crianças por 2 a 0. A partida ganhou destaque não só pela vitória dos pequenos, mas pelo impacto que causou na escola e na comunidade. O jogo foi registrado no YouTube e no dia seguinte os pais circulavam orgulhosos com jornais na mão, enquanto torcedores do Fortaleza provocavam brincadeiras sobre a derrota do Ceará para crianças. Zé Carlos, professor de educação física do Santa Cecília desde 2002, lembra que o evento repercutiu intensamente entre alunos e familiares.
Composição e relatos dos profissionais do Ceará
O time profissional, vestido com uniforme laranja, foi formado por 11 jogadores que não atuariam no jogo contra o Figueirense, pela 28ª rodada do Brasileirão, dois dias depois. O goleiro Fernando Henrique foi a única exceção, participando também da partida oficial. Outros atletas presentes foram João Marcos, Michel, Rudnei, George, Paulinho, Sinho, Geovane, Epitácio, Roger e Sérgio Alves.
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Fonte: tcheagora.com.br
João Marcos, volante e ídolo do Ceará, recorda a experiência com carinho: “A felicidade no olhar das crianças foi o que mais me marcou. Para nós era uma ação simples, mas entendi que era algo grande para eles. Brinquei, empurrei alguns e me diverti bastante. Não nos importamos com o resultado e até ficamos satisfeitos porque eles venceram”.
Encontro emocional entre passado e presente
Epitácio Quezado, que tinha 16 anos na época e recém-chegara ao time profissional, também relembra o amistoso com emoção. Na posição de centroavante, ele retornou ao campo onde viveu parte da sua formação acadêmica e esportiva, já que era ex-aluno do Santa Cecília. Para ele, o jogo uniu memórias pessoais e a paixão pelo futebol, tornando aquele momento ainda mais especial.
