Desafios da Reforma Agrária no Brasil
Atualmente, mais de 100 mil famílias permanecem acampadas no Brasil, aguardando a conquista de terras, uma realidade que reflete o lento progresso das políticas públicas voltadas aos povos do campo. Essa situação foi destacada na carta final do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador, na Bahia.
Durante a leitura do documento, realizada no último dia do evento, a deputada estadual Rosa Amorim (PT-Pernambuco) e o dirigente nacional do MST, Márcio Santos, responsabilizaram o agronegócio por dificultar a reforma agrária no país. A carta expressa que “esse bloqueio vai na contramão da construção de um projeto de país, uma vez que a Reforma Agrária Popular é uma resposta à hegemonia do agronegócio e um caminho para superar a crise civilizatória e o colapso ambiental que enfrentamos”.
O texto também alerta sobre o poder exercido pelo agronegócio, que controla a maior parte do Congresso, dos meios de comunicação e do poder judiciário. O cenário foi agravado em novembro de 2025, quando o Congresso derrubou a maioria dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da Devastação, que altera as regras de licenciamento ambiental em atividades que causam impactos.
Outro ponto crítico abordado é a disparidade entre o Plano Safra 2025/2026, que destina 82,75% mais recursos ao agronegócio do que ao Plano Safra da Agricultura Familiar. Esses dados reforçam como diferentes esferas políticas favorecem a concentração de terras e a produção de commodities no país.
O Caminho da Luta pela Reforma Agrária
A carta do MST propõe que a luta de classes deve ser centrada na contestação ao modelo capitalista dominado pelo agronegócio, pela democratização da terra e pela defesa da natureza.
O documento analisa o contexto político e social, apresentando diretrizes para enfrentar “este tempo histórico”. Frases como “melhores condições de vida e trabalho” e “proteção da natureza contra os agrotóxicos” destacam a urgência da ação coletiva. “O agronegócio, modelo hegemônico, foca em commodities e utiliza agrotóxicos que contaminam nosso ambiente, colocando em risco a saúde da população”, enfatiza a carta.
A conjuntura global também é abordada, ressaltando os impactos do imperialismo. Os autores da carta não hesitam em criticar a violência exacerbada dos EUA, que age de forma a desestabilizar países como Cuba, Haiti e outros da América Latina.
Oração e Esperança das Crianças Sem Terrinha
As crianças também tiveram voz no evento. Durante o encerramento, um grupo de 157 crianças entregou uma carta ao presidente Lula, expressando seu anseio por uma terra repartida onde possam viver com dignidade. “Queremos ver a Reforma Agrária acontecer”, afirmam, destacando a necessidade de mais escolas no campo e a proteção contra a violência. “A lei garante nosso direito à educação, que é vital para nossas comunidades”, acrescentam.
O documento infantil conclui com um apelo para que a violência contra os povos do campo cesse, destacando a necessidade de segurança nas comunidades.
Chamado à Ação e Solidariedade
No contexto do 14º Encontro, que reuniu mais de 3.000 participantes, a carta reafirma a importância da Reforma Agrária como uma bandeira de toda classe trabalhadora brasileira. Segundo o MST, “lutar pela terra e pela reforma agrária, hoje em caráter popular, é um esforço coletivo necessário para a construção de uma sociedade mais justa”.
O movimento destaca ainda a necessidade de unir forças contra o agronegócio e a extrema direita, enfatizando o apoio a candidatos comprometidos com o programa de Reforma Agrária Popular e a luta antiimperialista. A carta encerra convocando a sociedade a se mobilizar por melhores condições de vida, paz e defesa da natureza, reafirmando a centralidade da luta pela reforma agrária no Brasil.
