O Papel da Taxa de Câmbio na Economia Brasileira
A política cambial tem ganhado cada vez mais destaque na economia do Brasil e essa tendência deve se manter em 2026. O foco principal desse debate gira em torno do preço do dólar, atualmente em torno de R$ 5,37, que exerce influência direta sobre o crescimento econômico e a inflação. Quando a taxa de câmbio diminui, ocorre a valorização do real, tornando o dólar mais barato nas transações internacionais, o que significa que são necessários menos reais para se adquirir a moeda americana.
A diminuição do valor do dólar resulta em preços mais acessíveis para produtos importados, um fator que ajuda a controlar a inflação. Esse efeito é crucial para uma economia como a brasileira, que depende de insumos estrangeiros para a formação do Produto Interno Bruto (PIB). Entre os itens importados estão petróleo, trigo, fertilizantes, medicamentos, equipamentos e diversos componentes industriais.
Preocupações dos Exportadores
No início de 2026, a preocupação entre os agentes econômicos, especialmente os exportadores, é crescente em relação à taxa de câmbio, que muitos consideram excessivamente baixa. Essa situação pode levar a um aumento nas importações, uma diminuição nas exportações e comprometer a atividade econômica em setores variados. O setor petrolífero, por exemplo, é especialmente vulnerável, uma vez que a sua estrutura de custos está atrelada ao preço do barril e à valorização do real frente ao dólar.
Atualmente, a queda do dólar se deve, em parte, à redução do preço internacional do petróleo e à valorização do real. O preço do dólar, que chegou a R$ 6,27 no final de 2024, caiu para R$ 5,28 ao final de 2025. Essa diminuição de aproximadamente 16% ajuda a explicar por que a inflação não se intensificou, apesar das dificuldades geradas pelos gastos públicos descontrolados e pelos déficits fiscais, que aumentam o endividamento e pressionam os juros. Além disso, a política do governo norte-americano em desvalorizar o dólar frente a outras moedas também tem colaborado para a diminuição da moeda americana em relação ao real.
Impactos de uma Câmbio Valorizado
No entanto, a valorização da moeda traz consigo um efeito colateral relevante. Com o câmbio mais forte, as exportações podem ser prejudicadas, uma vez que a receita dos exportadores em reais diminui. Isso resulta na redução das margens de lucro e pode levar empresas a demitir ou cortar produção. Esse impacto é especialmente delicado em anos eleitorais, onde a pressão política por medidas que aliviem essas consequências tende a aumentar.
Em resposta a essas dificuldades, é comum que os exportadores busquem subsídios, crédito facilitado ou barreiras às importações, alegando que os produtos estrangeiros estão em vantagem competitiva. Um exemplo recente foi a defesa, feita pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela taxação de importações de determinadas roupas.
A Importância de uma Política Cambial Eficiente
A política cambial, que abrange o conjunto de normas que regem as relações entre a moeda nacional e as estrangeiras, desempenha um papel crucial na estabilidade econômica, no estímulo à produção e no desempenho do comércio exterior. Se bem gerida, pode conter a inflação e favorecer investimentos produtivos; se mal formulada, pode desorganizar o sistema produtivo, acentuar pressões inflacionárias e comprometer o crescimento.
Um exemplo histórico disso ocorreu entre 1994 e 1999, quando o Banco Central adotou uma política de controle artificial do dólar, limitando sua cotação a R$ 1,20. Essa prática resultou em um aumento excessivo das importações e inviabilizou as exportações, levando muitas empresas à falência. Com a desvalorização abrupta do câmbio em 1999, que saltou para R$ 2,16, o governo foi forçado a abandonar o controle do câmbio e implementar o tripé macroeconômico: superávit fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante.
Um Debate Necessário nas Eleições de 2026
À medida que 2026 se aproxima, a preocupação com a política cambial deve ser um dos tópicos principais que os candidatos às eleições nacionais e estaduais devem abordar. É imprescindível que o governo, os presidenciáveis e a sociedade dialoguem abertamente sobre qual direção a política cambial do Brasil deve tomar e como o país se posicionará na economia global. Essa discussão é fundamental, pois o futuro econômico do Brasil e o aumento da renda per capita estão intrinsecamente ligados à qualidade da política cambial adotada.
