Fé e seu Impacto na Política Brasileira
Ao abordar o tema da fé, é essencial considerarmos suas diferentes vertentes. De um lado, temos a fé engajada e libertadora, que busca a transformação social, enquanto do outro, se destaca a fé intimista, que pode levar à alienação. A fé libertadora é caracterizada por uma vivência religiosa que se compromete com a justiça social, promovendo mudanças necessárias por meio da mobilização e da reflexão coletiva. Essa forma de fé se concentra no amor ao próximo, buscando emancipar os oprimidos, combatendo as injustiças que permeiam a sociedade.
Em contrapartida, a fé alienada é aquela que desconecta o indivíduo da realidade social. Essa visão subjetiva muitas vezes culmina em passividade e indiferença frente ao sofrimento alheio, priorizando rituais e crenças transcendentais, em detrimento do compromisso social. Esse tipo de fé pode gerar fanatismo e formas de exploração, levando a situações lamentáveis ao longo da história, como os casos trágicos de Jim Jones e David Koresh, que exemplificam os perigos da alienação religiosa.
O Papel da Fé nas Questões Políticas
A reflexão sobre fé e política é particularmente pertinente em um ano eleitoral, como 2026, quando o Brasil se prepara para escolher seus representantes. A discussão sobre a presença de questões políticas nas igrejas, tanto cristãs quanto não cristãs, gera controvérsias. Contudo, é imprescindível que, independentemente de crenças pessoais, todos os cidadãos se envolvam nas discussões sobre a política e a importância do voto. Esta participação ativa é fundamental para garantir eleições justas e democráticas, longe do “voto de cabresto”, um triste capítulo da nossa história.
Como cidadãos, é nosso dever mediar o rumo das políticas públicas, sempre em busca do bem comum. A ética, a moralidade e a dignidade são valores que não devem ser negligenciados. O exercício da política deveria ser pautado pela transparência e responsabilidade, conforme estipulado na Constituição Federal de 1988, que afirma que “todo o poder emana do povo”. É essencial que os representantes eleitos prestem contas de suas ações aos cidadãos que os elegeram, lembrando que não se trata de um favor, mas de um compromisso legal.
A Importância do Voto como Instrumento de Cidadania
O voto deve ser encarado não como uma mercadoria, mas sim como uma poderosa ferramenta de cidadania. Ele é crucial para a escolha de representantes, sendo a base da democracia e do estado democrático de direito. A venda do voto, mesmo que traga benefícios imediatos, perpetua a corrupção e favorece a manutenção no poder de políticos que buscam apenas enriquecer à custa da população. A prática do “orçamento secreto” e outras formas de corrupção comprometem a qualidade da gestão pública, trazendo consequências desastrosas para a sociedade.
Ademais, a desigualdade social é uma questão que deve ser tratada com urgência. O estado que se mostra mínimo para os pobres acaba se tornando maximum para os ricos, perpetuando um ciclo de privilégios e injustiças. A recente Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, que dá continuidade ao legado de Francisco, enfatiza a necessidade de um compromisso verdadeiro com a erradicação da pobreza, abordando suas causas e promovendo políticas inclusivas.
Reflexões Coletivas sobre Fé e Cidadania
As reflexões sobre fé e cidadania devem ser contínuas, não se restringindo apenas ao período eleitoral. O convite é para que as discussões se estendam a todos os espaços onde as pessoas se reúnem, incluindo igrejas, sindicatos e comunidades. É essencial que todos estejam dispostos a ouvir as vozes que representam os mais vulneráveis. O engajamento da fé em questões políticas pode contribuir para a dignidade e libertação de muitos, que enfrentam diariamente a exploração e a violência.
Por fim, a realidade enfrentada pelos pobres, como ressaltado por Marcos Aurélio, é um reflexo da falta de dignidade humana. As marginalizações e as opressões que persistem nas comunidades mais vulneráveis pedem uma ação ativa e solidária. A Campanha da Fraternidade da CNBB em 2026, que abordará o tema da moradia, reafirma a importância de conectar fé e política, direcionando esforços para transformar a realidade social do país.
