Desafios na Educação: Um Panorama Necessário
A época de volta às aulas traz à tona muitos desafios enfrentados pelo sistema educacional, especialmente em São Paulo. Tendo recebido a provocação de um leitor, decidi explorar as questões relacionadas à cobertura da educação na mídia. Um dos principais problemas sinalizados foi o novo processo de distribuição de aulas entre professores, que passou por modificações e gerou uma série de questionamentos.
O secretário Renato Feder concedeu uma entrevista ao Metrópoles, esclarecendo que, com o novo sistema, os diretores das escolas teriam o poder de vetar determinados professores. Além disso, uma decisão recente da Justiça também bloqueou parte das medidas propostas. A Folha de S.Paulo, em sua edição deste sábado (31), destacou a preocupação de pais de alunos com deficiência, mas essa questão se mostra muito mais abrangente, considerando que a rede pública de ensino paulista conta com quase 200 mil docentes e mais de 3 milhões de estudantes.
José Ailton da Silva, um professor de Assis (215 km de São Paulo), expressou sua insatisfação em relação à cobertura do tema: “A atribuição de aulas tem deixado professores efetivos, adidos e temporários sem carga horária. Isso ocorre em um cenário de redução das disciplinas de humanas, fechamento de salas e mudanças na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O assunto merece maior atenção”. Essa reclamação revela a complexidade do cenário educacional.
Fábio Haddad, editor de Cotidiano da Folha, reconheceu a relevância dos comentários dos leitores e respondeu: “Nosso compromisso é com uma cobertura abrangente sobre as políticas de educação em São Paulo. Abordamos a falta de investimentos para reformas, as progressões de professores, as mudanças nas cargas horárias e na oferta de disciplinas, além de falhas no sistema de avaliação de docentes e a reestruturação das escolas. Recentemente, também temos explorado o tema da EJA. No entanto, é importante ressaltar que a educação é um campo vasto e complexo, e as observações dos leitores são sempre bem-vindas e serão consideradas em nossas avaliações internas”.
Reajuste do Piso Nacional: Uma Questão em Debate
Outro ponto levantado por um leitor foi o recente reajuste do piso nacional dos professores, que foi revisto pelo governo federal na semana passada. Embora o jornal tenha cobertura adequada sobre a questão política, a situação ainda parece distante da realidade vivida por muitos educadores. Luiz Bardal, engenheiro e advogado residente em São Paulo, fez um desabafo: “Recentemente, recebemos a notícia de um reajuste salarial de 0,37%, o que equivale a apenas dezoito reais. Isso é insignificante e não dignifica a profissão”. Ele ainda destacou a importância de o respeito à educação e aos educadores ser retomado nas pautas sociais.
Essa é uma questão complexa. A Folha já havia mostrado, em setembro, que nenhum estado do Brasil garante o piso nacional para professores temporários, e que a contratação dessas categorias cresceu 42% entre 2017 e 2023. Assim, há uma variedade de aspectos a serem discutidos.
Um professor, que optou por não se identificar, fez uma provocação interessante: “Acho que a imprensa poderia contribuir para este debate. Mas quantos profissionais da Redação da Folha estudaram em escolas públicas? Isso pode fazer toda a diferença”. Essa reflexão destaca a necessidade de diversidade dentro das redações, onde a maioria dos jornalistas ainda provém de escolas particulares, o que pode influenciar a forma como as notícias são cobertas.
A Estrutura da Cobertura Educacional
A diversidade e inclusão na educação têm melhorado lentamente, mas a realidade é que as redações ainda não refletem adequadamente a realidade das escolas públicas. Na Folha, a educação é tratada como uma sub-editoria, sem a estrutura necessária para abordar a complexidade do tema de maneira mais abrangente. Embora o setor de ensino superior conte com um pouco mais de atenção, as etapas anteriores da educação frequentemente são negligenciadas, criando uma separação entre a educação pública e a particular.
Uma cobertura mais aprofundada poderia facilitar a conexão com as questões infantojuvenis, que são frequentemente abordadas em iniciativas como Folhinha e Folhateen. A falta de espaço para discussões mais amplas pode resultar em uma desconexão entre a realidade vivida pelos alunos e a forma como esses temas são tratados na mídia.
Confusão na Edição
No último dia 29, um erro editorial chamou a atenção dos leitores da Folha. O jornal entregou um texto de Sérgio Rodrigues em duplicidade na seção de outro colunista, Mauricio Stycer. Na mesma edição, um aviso de correção foi divulgado, mas não resolveu a situação, causando confusão. A Ilustrada, onde a coluna de Stycer é publicada, fecha mais cedo que outras seções do jornal, o que pode ter contribuído para o erro. No entanto, muitos leitores ficaram perplexos e questionaram como algo tão evidente poderia passar despercebido.
