Explorando as Conexões entre Arte e Território
No dia 11 de setembro, às 19h, o Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) abre suas portas para a exposição “Arquipélagos: Memórias Líquidas”. Este projeto inovador reúne mais de 100 obras distribuídas em quatro eixos curatoriais: águas e margens, desastres, arquiteturas e matas, rastros. O conjunto é composto tanto por peças do acervo do MASC quanto por criações do artista Paulo Gaiad (1953–2016) e do gaúcho Clóvis Martins Costa (1974). A proposta busca discutir as diferentes maneiras pelas quais a paisagem se expressa na arte contemporânea, especialmente em diálogo com o território litorâneo do sul do Brasil.
Clóvis Martins Costa destaca que a exposição representa um encontro não apenas entre dois artistas, mas também entre suas obras e as possibilidades de diálogo entre as poéticas no eixo sul do Brasil. “Penso que a exposição fala sobre uma possibilidade de encontro não somente entre dois artistas e suas conexões com o acervo do museu, mas de conversas possíveis e necessárias entre poéticas no eixo sul do Brasil”, afirma o artista.
Um Projeto Coletivo e Reflexões sobre a Arte
A mostra é resultado de uma série de encontros, debates e eventos, incluindo uma residência que faz parte do programa de Extensão Universitária Estúdio de Pintura Apotheke, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Essas interações foram fundamentais para aproximar as produções de Gaiad e Martins Costa, criando um espaço fértil para a reflexão artística.
Paulo Gaiad, conhecido por sua influência no circuito catarinense, explorou desdobramentos da pintura ao misturar seu interesse pela memória com diversas técnicas e materiais. Por outro lado, Clóvis Martins Costa constrói suas narrativas pictóricas utilizando a materialidade do ambiente onde reside, próximo à Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Sua obra incorpora elementos das paisagens ribeirinhas e referências da História da Arte, trazendo uma riqueza de experiências que dialogam com o contemporâneo.
Um Mosaico de Vozes e Temáticas
Para ampliar o debate, a exposição inclui obras do acervo do MASC, reunindo vozes e perspectivas de diferentes épocas e localidades. Apesar da diversidade, surgem temas recorrentes ao longo da mostra, como a relação entre águas e areias, que remete às margens como territórios de sonhos e desassossegos para aqueles que cruzam oceanos em busca de dignidade. Também se destacam cenas de desastre que, ao evocar fragmentos de um passado recente, sugerem futuros possíveis.
Com a intenção de destacar semelhanças e diferenças no entendimento de paisagem, “Arquipélagos: Memórias Líquidas” convida à reflexão sobre o papel da arte na formação de memórias por meio de um repertório visual. A curadoria fica por conta de Thays Tonin e Rosângela Cherem, com contribuições de Victoria Beatriz na produção e pesquisa, além das assistentes Georgia Bergamin, Karine Abbati e Clara Rovaris.
Detalhes da Exposição
A expografia é responsabilidade de Miguel Mincache e Estela Camillo, enquanto a identidade visual foi criada por João Pedro Ribas Knoth. Este projeto cultural é viabilizado com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e do prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2022.
A lista de artistas participantes inclui nomes renomados como Acary Margarida, Antônio Grosso, Betânia Silveira, Cláudio Tozzi, Cícero Dias, Clóvis Martins Costa, Eduardo Dias, Eli Heil, Estrella Argentina Bendahay, Fabiana Wielewicki, Fayga Ostrower, Franciele Favero, Hélios Rodolfo Gagliardi, Jayro Schmidt, Lúcio Cardoso, Maria de Lourdes Pires, Marie Geneviéve Havel, Neno Brazil, Nilo Dias, Paulo Gaiad, Raquel Stolf, Rubens Oestroem, Sandra Meyer Nunes e Wilson de Andrade e Silva.
