Minas Gerais sob Pressão: Crescimento nos Pedidos de Recuperação Judicial
Minas Gerais está experimentando um aumento notório nos pedidos de recuperação judicial, o que coloca o estado em destaque nas discussões sobre crises empresariais no Brasil. Nos três primeiros trimestres de 2025, um total de 1.032 empresas mineiras optou por essa medida, marcando um crescimento de 23% em comparação ao ano anterior, quando 792 empresas solicitaram recuperação.
Esse aumento supera a média nacional, que registrou um crescimento de 6,4%, com 5.285 pedidos em todo o país, conforme revela o Monitor RGF de Recuperação Judicial. Adicionalmente, entre o segundo e o terceiro trimestre de 2025, Minas Gerais observou um aumento de 8% nas solicitações, refletindo a pressão contínua sobre as empresas que enfrentam margens de lucro reduzidas, custos elevados de crédito e dívidas de longo prazo.
Setor Agropecuário em Destaque nas Recuperações
O agronegócio e a agroindústria mineira se destacam como os setores mais afetados pela crise, sendo responsáveis por uma proporção significativa dos pedidos de recuperação judicial. No terceiro trimestre de 2025, foram contabilizados 59 pedidos apenas no setor agrícola, conforme dados da Serasa Experian.
Empresas que cresceram nos últimos anos com base em financiamentos, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), contratos de fornecimento e operações de barter enfrentam dificuldades de liquidez. Isso se deve à volatilidade dos preços de commodities como café e soja, ao aumento dos custos operacionais e a gargalos logísticos.
Um caso emblemático envolve um grupo do agronegócio mineiro que acumula cerca de R$ 895 milhões em dívidas, incluindo empresas como Vitória Agronegócios Ltda e AG&F Agropecuária. O pedido de recuperação judicial desse grupo foi recentemente deferido pela Justiça na zona noroeste do estado.
Efeito Dominó nas Cadeias de Suprimento
O crescimento nos pedidos de recuperação judicial tem um impacto direto em fornecedores, transportadoras, cooperativas e prestadores de serviços, aumentando o risco de novas dificuldades econômicas na região de Minas Gerais.
“Quando uma empresa enfrenta uma crise, toda a cadeia produtiva sofre as consequências. É fundamental que os empresários adotem medidas preventivas, pois o impacto pode se espalhar rapidamente”, alerta Eliseu Silveira, advogado e especialista em reestruturação e recuperação judicial.
Recuperação Judicial como Estratégia Proativa
Silveira destaca que a recuperação judicial não deve ser vista como um sinal de fracasso, mas sim como uma estratégia para proteger o fluxo de caixa, reorganizar dívidas e manter as operações ativas.
“O verdadeiro problema surge quando se busca ajuda apenas após a crise já estar instalada. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores as chances de uma reorganização bem-sucedida”, ressalta.
Esse cenário reforça a relevância do planejamento jurídico-financeiro, da análise preventiva de riscos, da revisão de contratos e da renegociação estruturada de passivos, especialmente em um ambiente de crédito restrito e custos elevados.
Desafios para Empresas de Médio Porte
Minas Gerais abriga um número considerável de empresas de médio porte, que apresentam alta dependência de cadeias produtivas que exigem intenso capital. Esse perfil torna o estado vulnerável a flutuações de crédito e custos operacionais, destacando a necessidade de gestão estratégica e prevenção de riscos para assegurar a sobrevivência das empresas e a estabilidade econômica regional.
