Inovação e Soberania Digital em Foco
O Ceará está mirando no fortalecimento de seu ecossistema de inovação por meio da instalação de data centers. Este foi um dos principais temas abordados na última terça-feira (3) pelo presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Hugo Figueirêdo, durante os Diálogos de Aproximação Brasil-Europa. O evento, realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), reuniu importantes entidades como o Global Gateway e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) junto à ApexBrasil.
Figueirêdo destacou que a legislação federal, como o ReData e a lei da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), permite que 2% do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação seja aplicado no setor. Ele enfatizou que um investimento de R$ 200 milhões, como o anunciado para o data center da TikTok, pode ter um impacto significativo não apenas na cadeia digital, mas em todo o ecossistema de inovação do estado.
“Reforçar nosso sistema de inovação é essencial e o Estado está comprometido com essa missão. Eu acredito que a União Europeia pode ser uma grande parceira nesse desenvolvimento”, disse Figueirêdo à embaixadora Marian Schuegraf. O gestor também enfatizou a importância da soberania dos dados e a geopolítica nesse contexto, sugerindo que escalar essa iniciativa é fundamental para garantir a segurança e a privacidade das informações.
Estruturas Locais para Data Centers
Em uma abordagem mais local, o presidente da Etice propôs a instalação de data centers menores voltados para atender ao mercado regional. Ele mencionou que o Cinturão Digital do Ceará possui sete pares de fibra óptica ainda não utilizados, o que poderia facilitar a expansão de infraestrutura digital no interior do estado, sem focar somente na exportação de dados.
Além disso, o Ceará se destaca pela sua capacidade de fornecer energia renovável. Figueirêdo explicou que o estado consome em média 1,65 GW de energia por hora, enquanto é capaz de produzir 4,5 GW, apenas por meio de fontes eólicas e solares, superando a situação atual nos Estados Unidos.
Incentivos e Educação como Atrações
Durante a discussão, a embaixadora Marian Schuegraf ressaltou a importância da inovação no desenvolvimento econômico. “Todo progresso deve incluir tecnologia e inovação”, afirmou, reforçando o alinhamento entre as diretrizes da União Europeia e as iniciativas brasileiras.
Além das discussões sobre inovação, Hugo Figueirêdo também comentou sobre a expectativa de aprovação, em março, de incentivos fiscais pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). O foco seria uma redução do ICMS em até 80% para atrair data centers, complementando os incentivos já existentes que visam atrair empresas desse setor.
Outro fator que torna o Ceará atraente para investimentos em tecnologia é a qualidade da educação. O estado conta com pós-graduações em engenharia e tecnologia bem estruturadas e a instalação do primeiro campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) fora de São José dos Campos (SP). O campus já iniciou cursos de engenharia de sistemas e energias renováveis, totalmente conectados ao ambiente de transformação digital que o Ceará está buscando fomentar.
O evento contou com a presença de importantes figuras do cenário político e empresarial, incluindo a secretária de Relações Internacionais do governo do Ceará, Roseane Medeiros, o conselheiro do Cebri Roberto Jaguaribe, a gerente de Investimentos da ApexBrasil, Helena Brandão, e a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf. Essas colaborações indicam um esforço conjunto para que o Ceará se torne um polo de inovação na era digital.
