Ação Revela Irregularidades em Sorteios de Capitalização
Natal/RN – A Polícia Federal (PF) fez uma apreensão significativa de cerca de R$ 850 mil em dinheiro durante uma operação que desarticulou um esquema de sorteios irregulares promovidos por uma empresa de títulos de capitalização. A operação, chamada de Aleatorius, aconteceu no último domingo (9/2) e se estendeu por quatro municípios em três estados da região Nordeste.
Os agentes da PF encontraram os valores em maletas, denominadas por eles como “malas da fortuna”. Durante a ação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Teresina (PI), Juazeiro do Norte (CE), Garanhuns e Caruaru (PE). Além do montante em espécie, a operação resultou na apreensão de celulares, computadores e documentos que estão relacionados às atividades da empresa investigada.
A investigação teve início após a PF detectar indícios de que a empresa, embora tivesse autorização para operar no mercado de capitalização, estava extrapolando os limites estabelecidos pela lei. Segundo as autoridades, o modelo de negócios da empresa havia se transformado em uma espécie de loteria paralela, funcionando à margem da regulamentação oficial. Muitas pessoas, acreditando participar de sorteios regulares, podem ter sido enganadas, visto que parte das operações acontecia fora dos parâmetros legais.
A Operação Aleatorius visa desmantelar uma estrutura suspeita de violar as regras impostas pelo Ministério da Fazenda para promoções comerciais. A 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Piauí determinou a suspensão das atividades da empresa sob investigação. Todo o material apreendido será submetido a perícia e análise financeira para mapear o fluxo de dinheiro e identificar possíveis beneficiários do esquema irregular.
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores foi a movimentação de grandes quantias fora do sistema bancário, o fracionamento de valores e o pagamento de prêmios em dinheiro vivo, características que fogem do padrão permitido para empresas de capitalização. A análise da PF sugere possíveis crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falsificação de selo ou sinal público, além de delitos contra a ordem tributária.
Os sorteios promovidos pela empresa eram realizados com frequência elevada e ofereciam prêmios de alto valor, seguindo regras próprias de apuração que não estavam de acordo com as normas estabelecidas para o setor. Até o momento, os nomes dos responsáveis pela organização e detalhes sobre o funcionamento exato do esquema de sorteios irregulares ainda não foram divulgados pelas autoridades competentes.
