Integração entre Educação e Políticas Públicas
O Ministério da Educação (MEC) promoveu, nos dias 2, 3 e 5 de fevereiro, uma série de seminários voltados para o acompanhamento de projetos intersetoriais da Rede de Extensão para o Desenvolvimento Integrado de Ações Intersetoriais em Territórios em Situação de Vulnerabilidade (Rede Interset-CE). Os eventos ocorreram na Universidade Federal do Ceará (UFC), na Universidade Estadual do Ceará (Uece), ambas em Fortaleza, e na Universidade Federal do Cariri (UFCA), em Juazeiro do Norte (CE).
A Rede Interset-CE, uma iniciativa do MEC em parceria com instituições de ensino superior cearenses, tem como objetivo promover a formação de redes intersetoriais ligadas à educação básica. O projeto integra diferentes áreas, como saúde, assistência social, cultura e direitos humanos, para enfrentar os desafios em regiões vulneráveis, ao mesmo tempo em que fortalece a extensão universitária e a cidadania dos estudantes.
Atualmente, a Rede já implementou 70 projetos de extensão em colaboração com sete instituições públicas de ensino superior do Ceará, incluindo a UFC, a Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), o Instituto Federal do Ceará (IFCE), a Uece, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), a UFCA e a Universidade Regional do Cariri (URCA). Essa iniciativa resultou na concessão de 331 bolsas de estudos para estudantes de graduação que atuam junto aos sistemas de ensino em 175 municípios do estado.
Durante os seminários, a Secretaria de Articulação Intersetorial (Sase) do MEC destacou os resultados obtidos nos primeiros seis meses da rede e promoveu um intercâmbio de experiências, que contou com a Feira de Projetos organizada paralelamente aos seminários. Além disso, a equipe da Sase visitou escolas que são beneficiadas pelos projetos, constatando a relevância das atividades desenvolvidas.
O diretor de Articulação Intersetorial, Antonio Claret de Campos Filho, enfatizou a importância da colaboração entre diferentes setores para fortalecer as políticas educacionais. “As ações intersetoriais de extensão realizadas pela Rede Interset-CE demonstram como iniciativas estruturantes podem promover uma educação integral e contribuir para o exercício da cidadania, especialmente em tempos desafiadores para as escolas. Estados e municípios devem considerar isso ao elaborar seus planos de educação”, afirmou.
Compromisso com a Equidade de Gênero na Educação
De acordo com dados do Plano Nacional de Pós-Graduação 2025-2029 (PNPG), o Brasil forma mais mulheres cientistas do que homens, com elas representando 57% das tituladas na pós-graduação. No entanto, apesar de estarem na maioria entre as doutoras, as mulheres ocupam apenas 43% do corpo docente da pós-graduação, evidenciando o chamado “efeito tesoura”, onde muitas conseguem concluir o doutorado, mas encontram barreiras para se tornarem professoras permanentes.
A desigualdade é ainda mais acentuada nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Em engenharia, por exemplo, apenas 23% do corpo docente é feminino, enquanto em ciências exatas e da terra esse número fica em 24%. O PNPG aponta o período de maternidade como um fator que impacta negativamente a carreira das cientistas mulheres.
Para combater essas desigualdades, o MEC tem adotado diversas ações, como o investimento na concessão de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), onde 58% das beneficiadas em todo o país são mulheres. Em 2024, a pasta ampliou o prazo para conclusão de programas de bolsas em até 180 dias para mães que tenham tido filhos, adotado ou recebido crianças em guarda, aumentando para o dobro no caso de crianças com deficiência.
A Capes também gerencia o programa Abdias Nascimento, que desde 2023 destina 50% das bolsas de missões no exterior a pesquisadoras que se identificam como pretas, pardas, indígenas ou com deficiência. Além disso, a entidade criou o Prêmio Futuras Cientistas, que reconhece o trabalho de meninas do ensino médio nas áreas de STEM.
Essas iniciativas são resultado do Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero da Capes, que foi instituído em 2024 e se propõe a sugerir ações para aumentar a representatividade feminina em posições de destaque na pós-graduação.
Um exemplo de sucesso dentro desse comitê é o projeto “Energizando a Equidade: meninas e mulheres impulsionando a transição energética”, coordenado pela cientista Aline Cristiane Pan, que visa promover a divulgação científica entre meninas do 9º ano do ensino fundamental e professoras de escolas públicas em situações de vulnerabilidade do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O projeto conecta universidades, conselhos regionais de engenharia e redes de mulheres na energia, abordando a transição de combustíveis fósseis para fontes renováveis de energia.
Durante o trabalho, uma das participantes, Luiza da Rosa Machado, estudante de 14 anos, desenvolveu um fogão solar como parte de um projeto escolar, demonstrando que as mulheres têm espaço e criatividade na ciência, desafiando estereótipos de gênero e contribuindo para soluções sustentáveis.
