Líder do PCdoB e Pioneiro na Política Nacional
Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, faleceu neste domingo (15), aos 83 anos, em decorrência de um câncer que o acometia há três anos. O velório será realizado amanhã, segunda-feira (16), das 8h às 12h, no Palácio do Trabalhador, em São Paulo, onde amigos, familiares e militantes prestarão suas últimas homenagens.
Rabelo presidiu o partido entre 2001 e 2015, e, mesmo após deixar a liderança, continuou influente na direção da sigla. Foi ele quem indicou a atual presidente do PCdoB, a ministra Luciana Santos, para a função de liderança do partido. Durante sua gestão, o PCdoB alcançou um marco ao incluir representantes nas esferas do governo federal a partir da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, garantindo a presença da legenda em ministérios de grande importância, como Defesa e Relações Institucionais.
Sob sua liderança, o PCdoB também fez história ao eleger Aldo Rebelo como presidente da Câmara dos Deputados, um feito inédito para a bancada, que ocorreu entre 2005 e 2007.
Contribuições Intelectuais e Ações Políticas
Após se afastar da presidência do PCdoB, em 2016, Rabelo assumiu a chefia da Fundação Maurício Grabois, think tank do partido, onde coordenou diversas iniciativas focadas na análise da conjuntura política, tanto nacional quanto internacional. Ele foi fundamental na produção de documentos e publicações que enriqueceram o debate político e teórico dentro do partido, sendo posteriormente nomeado presidente de honra da fundação.
Renato Rabelo também foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante a ditadura militar, destacando-se como um ativo opositor do regime. Em 1976, ele se exilou na França, retornando ao Brasil em 1979, quando a Lei da Anistia foi aprovada.
Mensagens de Homenagem e Reconhecimento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou em homenagem ao amigo e companheiro de luta. Em nota, Lula recordou os momentos importantes que compartilharam durante a redemocratização e nas eleições de 1989. “A democracia brasileira perdeu hoje um de seus maiores nomes, o meu querido companheiro Renato Rabelo. Dirigente histórico do PCdoB, trilhamos, lado a lado, alguns dos momentos mais importantes de nossa história, como nas greves do ABC, nas Diretas Já e nas campanhas presidenciais”, afirmou.
Lula ainda lembrou da visão estratégica de Rabelo, destacando sua habilidade em unir forças políticas em prol da soberania e justiça social, que continuarão a inspirar aqueles que buscam um Brasil melhor.
A líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), também se manifestou sobre a perda. “Renato dedicou sua vida à luta pela democracia, pela soberania nacional, por direitos e pelo socialismo. O Brasil ficou mais pobre de ideias e de luta”, expressou. Ela enfatizou o legado de Rabelo na formação de novas gerações de militantes, reconhecendo sua importância na construção coletiva do partido.
A ministra Luciana Santos relembrou a relevância de Rabelo na formação do projeto de nação. “Renato é a expressão da serenidade ativa e do espírito público que moldou o PCdoB. Um intelectual destacado, revolucionário, que deu continuidade ao legado de João Amazonas e contribuiu de forma indispensável ao projeto nacional de desenvolvimento, apontando caminhos para a construção do socialismo com a identidade do nosso povo”, concluiu.
