Os Efeitos da Alta do Petróleo no Agronegócio
A crescente elevação dos preços do petróleo gera uma pressão significativa sobre o agronegócio brasileiro, especialmente na reta final da safra de verão, que é o ciclo agrícola mais importante do país. “Neste período de colheita, há um consumo elevado de maquinário, e, consequentemente, de diesel”, explica André Diz, docente de economia do Ibmec.
Além do aumento dos combustíveis, a escassez de fertilizantes também agrava a situação, em grande parte devido ao conflito no Oriente Médio. Esse cenário gera apreensão entre os produtores, pois o Oriente Médio é responsável por uma parcela considerável dos fertilizantes nitrogenados, que são obtidos a partir do gás natural e do petróleo. O fechamento do estreito de Hormuz pode trazer consequências ainda mais severas para a produção agrícola no segundo semestre.
Na dinâmica do agronegócio, enquanto ocorre a colheita da soja, os agricultores já iniciam o plantio do milho e da segunda safra. Neste processo, dois fatores cruciais emergem: as máquinas que utilizam diesel e o fertilizante necessário para o solo, ambos fortemente dependentes do petróleo.
André Diz
Impacto na Economia e na Inflação Alimentar
O agronegócio brasileiro foi o principal motor do crescimento econômico em 2025, apresentando um incremento de 11,7% no ano anterior, o que contribuiu para um avanço de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto). Contudo, as perspectivas para 2024 são preocupantes, em razão da elevada crise do petróleo que se instalou.
Os custos crescentes de produção, resultantes da alta nos preços dos insumos e do frete, inevitavelmente impactarão os preços dos alimentos nos supermercados. “Esse efeito é praticamente imediato, pois o mercado tende a precificar esses aumentos e repassá-los aos consumidores”, destaca o presidente da Abramilho.
A duração do conflito no Oriente Médio será determinante para a extensão dos danos econômicos ao Brasil. André Diz alerta que um barril de petróleo próximo a US$ 100 por um longo período pode modificar a taxa de juros. “A questão central é saber quanto tempo esse conflito perdurará. Se a situação for resolvida em um mês, o preço do petróleo pode atingir um pico momentâneo e afetar alguns produtos”, conclui o economista.
Relatos de Escassez de Combustível
No Rio Grande do Sul, já surgem relatos de falta de diesel, essencial para o funcionamento das máquinas agrícolas. A Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e a Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros) alertam que os altos preços têm restringido o abastecimento, colocando em risco as colheitas de arroz e soja.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) está à frente das investigações relacionadas ao fornecimento de diesel. O órgão afirma que monitora diariamente os estoques e as entregas do combustível, garantindo que está preparada para tomar as medidas necessárias para assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país. “Atualmente, não identificamos restrições às operações ou à disponibilidade de combustíveis no mercado interno”, informa a ANP em sua declaração.
A Petrobras, por sua vez, nega qualquer mudança nas entregas de diesel por suas refinarias. A estatal ressalta que o fluxo de combustíveis está ocorrendo conforme o planejado, respeitando os compromissos comerciais estabelecidos.
