Avanços e Desafios da Presença Feminina no Agronegócio
Nos últimos anos, o agronegócio tem se destacado por seu crescimento na representatividade feminina, conforme aponta o estudo “Mulheres na Liderança”, realizado pelo Great Place To Work® (GPTW). O relatório, que analisa a presença de mulheres em cargos de liderança em diversos setores, revela que, apesar de ainda haver desafios, a participação feminina no agronegócio subiu de 14% em 2022 para 24% em 2025. Embora o setor parta de uma base mais baixa, essa mudança é vista como um avanço significativo.
O setor de saúde continua a liderar o ranking, com 63% de participação feminina em posições de liderança, e 19% de mulheres no cargo de CEOs. Em contrapartida, o agronegócio, que em 2025 ainda apresentava apenas 23% de representatividade feminina no quadro geral e 9% de mulheres em posições de liderança máxima, conseguiu mostrar um crescimento digno de nota. Para se ter uma ideia, essa porcentagem é a mais alta registrada pelo setor até agora, destacando a evolução no espaço de apenas três anos.
Comparativos Entre Setores
A tecnologia da informação, embora tenha apresentado um aumento de mulheres em cargos de CEOs, de 7% em 2022 para 16% em 2025, também enfrentou uma queda na participação feminina no quadro geral. O percentual recuou de 43% para 39% no mesmo período, apesar de ter tido uma leve recuperação em relação a 2024, que registrou 38%.
No setor industrial, o cenário é de contrastes: enquanto a participação feminina em cargos de alta liderança permaneceu baixa, em 21%, o número total de mulheres empregadas cresceu de 27% para 31% entre 2022 e 2025. O varejo se destaca, liderando a presença feminina em alta liderança, com 28%. Em contrapartida, o setor financeiro experimentou a maior queda, com a presença feminina em alta liderança caindo de 48% para 27%.
Cultura Organizacional e Ascensão Feminina
Segundo Daniela Diniz, diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW, a cultura organizacional desempenha um papel crucial na ascensão de mulheres à liderança. Ela afirma que empresas que promovem maior flexibilidade, ampliação de licenças parentais e envolvem lideranças masculinas nas discussões de gênero criam um ambiente propício para o avanço feminino. “Apesar do crescimento alcançado em alguns setores, a baixa representatividade feminina ainda indica que há um longo caminho a percorrer”, enfatiza Diniz.
O estudo também destaca a importância das Melhores Empresas para Trabalhar que, com práticas estruturadas, buscam promover a equidade e o crescimento das mulheres nas hierarquias. “Organizações mais maduras perceberam que a equidade não é apenas uma questão de reputação, mas uma parte essencial da estratégia de negócio”, complementa a executiva.
Metodologia do Estudo
A análise foi realizada a partir dos dados demográficos coletados dos rankings setoriais das melhores empresas para trabalhar entre 2022 e 2025, evidenciando os avanços e as disparidades que ainda permeiam o mercado de trabalho.
