Cenário de Recuperação Judicial e Desafios Econômicos
No ano de 2025, um total de 2.466 empresas solicitaram recuperação judicial no Brasil, um recorde histórico desde o início da série em 2012. Esse número representa um aumento de 13% em relação ao ano anterior, conforme aponta um levantamento da Serasa Experian. O recrudescimento da taxa básica de juros, que se manteve em 15% ao ano por um longo período, foi um dos principais fatores que contribuíram para esse cenário desafiador para os negócios no país.
Além do total de empresas, a quantidade de processos de recuperação judicial que podem abranger várias companhias de um mesmo grupo econômico também atingiu o maior patamar em uma década, com 977 processos registrados em 2025, marcando um crescimento de 5,5% se comparado a 2024. A economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, destaca que a análise dos dados revela um panorama alarmante em relação à saúde financeira das empresas brasileiras.
O Agronegócio em Foco: Dados e Tendências
O agronegócio, em particular, destacou-se em 2025, respondendo por 30,1% do total de pedidos de recuperação judicial, com 743 solicitações. Este número representa um incremento de 3,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em comparação, o setor de serviços totalizou 739 pedidos, mantendo uma participação de 30%, enquanto a indústria e o comércio apresentaram quedas significativas em suas respectivas participações nos pedidos de recuperação judicial.
Camila observa que a evolução do agronegócio na economia brasileira é notável. Um estudo recente do banco Itaú revela que, ao considerar atividades como beneficiamento de safras e fabricação de insumos, o agronegócio corresponde a 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Em contrapartida, a participação da indústria neste contexto tem diminuído, evidenciando a importância crescente do agronegócio.
Desafios e Perspectivas para as Empresas
Apesar do crescimento no número de pedidos de recuperação, a economista ressalta que a situação atual das empresas não é tão grave quanto a vivida em 2016, quando o país enfrentava uma forte recessão. O cenário atual, embora desafiador, é caracterizado por uma desaceleração econômica inflacionária, que, segundo ela, pressiona a capacidade de crédito das empresas e dificulta a rolagem de dívidas.
A taxa de juros, que já foi cortada para 14,75%, ainda permanece elevada, o que, de acordo com Camila, continua a oferecer dificuldades para as empresas. A expectativa é de que, apesar de um ciclo de corte na taxa básica, a realidade econômica ainda exigirá estratégias de recuperação e reestruturação.
Aumento de Pedidos e Perspectivas Futuras
O aumento na quantidade de pedidos de recuperação judicial é reflexo de um crescimento no número de empresas ativas no país, o que, embora tenha suas nuances, representa uma pressão máxima sobre muitas delas. Em janeiro de 2026, havia cerca de 8,7 milhões de CNPJs negativados no Brasil, com uma dívida média de aproximadamente R$ 23.138,40, além de várias restrições por CNPJ.
Rodrigo Gallegos, sócio da RGF, especialista em reestruturação de empresas, também projeta um aumento contínuo no número de pedidos de recuperação judicial até meados de 2026. Ele enfatiza que as empresas que antes tinham uma saúde financeira estável estão enfrentando dificuldades crescentes devido à alta taxa de juros. A expectativa em relação ao cenário econômico é de que diante dos desafios globais, como o conflito no Oriente Médio, a solvência das empresas continue em risco, exigindo atenção e estratégias adequadas para a recuperação.
