Educação Escolar Indígena em Sergipe
No contexto da educação pública em Sergipe, a política voltada para as comunidades indígenas tem ganhado destaque, especialmente com a aproximação do Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril. Segundo dados do Sistema de Matrícula da Secretaria de Estado da Educação (Seed), 506 alunos se autodeclaram indígenas na rede pública estadual. Em particular, o Centro de Excelência Dom José Brandão de Castro se destaca por suas práticas pedagógicas que valorizam a cultura do povo Xokó.
Localizado na Ilha de São Pedro, em Porto da Folha, o Centro de Excelência é a única escola indígena do estado e oferece um modelo de ensino que integra diretamente as práticas culturais ao processo de aprendizado. O método de ensino é caracterizado por um diálogo constante com as tradições e saberes do povo indígena, promovendo a valorização da identidade cultural dos alunos.
As aulas incluem a disciplina Cultura Xokó, que aborda a história da comunidade, rituais, espiritualidade, relação com a natureza e conhecimentos ancestrais. Essa abordagem contextualizada visa proporcionar uma formação mais rica e significativa para os estudantes.
Melhorias no Ensino e Aprendizado
O Centro de Excelência também recebe apoio da Seed, que implementa diversas ações para aprimorar as condições de ensino. Um exemplo disso é a alimentação escolar, com um cardápio balanceado que inclui alimentos essenciais como arroz, feijão, carne e frutas, assegurando uma nutrição adequada para os alunos. Além disso, todas as salas de aula são climatizadas, proporcionando um ambiente mais confortável para o aprendizado.
Programas como Estudante Monitor e Barriguinha Cheia são iniciativas que visam fortalecer a permanência e o desempenho dos alunos, garantindo acesso a uma educação pública de qualidade. Isso se torna ainda mais relevante em um estado com apenas duas comunidades indígenas oficialmente reconhecidas: Fulkaxó, em Pacatuba, e Xokó, na Ilha Caiçara.
Compromisso com a Educação Indígena
Desde 1996, a Educação Escolar Indígena é reconhecida em Sergipe como uma modalidade específica da educação básica, e em 2025, o estado aderiu à Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais (PNEEI-TEE). Atualmente, o estado conta com 506 estudantes indígenas matriculados, um número que se destaca em regiões como Aracaju e Alto Sertão.
Geneluça Santana, chefe da Coordenação de Educação do Campo e Diversidade (Cecad) da Seed, afirma: “A Seed assegura não apenas o acesso à escolarização do povo indígena, mas também o reconhecimento e valorização das identidades, saberes e tradições indígenas.” A política educacional busca não apenas incluir, mas também disseminar a história e cultura indígena para todos os alunos da rede.
Atividades em Comemoração ao Dia dos Povos Indígenas
Em celebração ao Dia dos Povos Indígenas, o Centro de Excelência Dom José Brandão de Castro realizará uma série de atividades para promover o intercâmbio cultural. A unidade receberá visitas de escolas estaduais e municipais, além do Instituto Federal de Sergipe (IFS) e instituições de Alagoas, criando um espaço para o aprendizado mútuo.
“Uma escola indígena não é apenas um local com alunos indígenas; é um espaço pensado para atender às necessidades culturais e identitárias do nosso povo”, afirma Ângela Apolônio, diretora da unidade escolar. A programação contará com a participação ativa da comunidade Xokó, em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e o Polo Base de Saúde da aldeia, promovendo uma interação entre educação, cultura e políticas públicas.
A Importância do Dia dos Povos Indígenas
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, é uma data que ressalta a diversidade cultural dos povos indígenas no Brasil. Além de celebrar essa riqueza cultural, a data serve para refletir sobre a luta contra o preconceito e pela defesa dos direitos desses povos. Criada durante o Estado Novo em 1943 como Dia do Índio, a data teve seu nome alterado em 2022, refletindo uma mudança significativa em direção à valorização das culturas indígenas.
