Vantagens do Cultivo Protegido
O cultivo protegido, uma prática que surgiu em Israel, não é exatamente uma novidade no Brasil. Após uma primeira tentativa que não surtiu efeito, a técnica ganhou força na última década. Contudo, sua adoção ainda é lenta, uma vez que há faltas, como a escassez de técnicos agrônomos qualificados, a disponibilidade de materiais adequados como plásticos para as telas e tecnologias específicas para as condições tropicais de regiões quentes como Manaus (AM) e Belém (PA).
O pesquisador da Embrapa Hortaliças, Ítalo Guedes, explica que a necessidade de adaptar essa tecnologia ao nosso clima é crucial, visto que as motivações aqui são diferentes das de países como Israel, Espanha e Holanda, que buscam proteger suas plantações do frio extremo.
Apesar dos desafios, as vantagens do cultivo protegido são significativas. Primeiramente, as telas funcionam como barreiras que impedem a entrada de insetos, facilitando o manejo biológico de pragas. Se uma lagarta aparece, por exemplo, é viável introduzir vespas que atacam essa praga sem prejudicar a plantação. Além disso, no controle de fungos, é possível utilizar bactérias que combatem essas ameaças, sem causar impactos ambientais.
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As estufas também servem como proteção contra condições climáticas adversas, salvaguardando hortaliças e frutas. Contudo, é vital monitorar a temperatura interna para evitar que o ambiente fique excessivamente quente.
Outra vantagem do cultivo protegido é a racionalização dos recursos. O cultivo em ambientes fechados permite a utilização mais eficiente de água e fertilizantes. Na prática, em comparação com plantações tradicionais, realiza-se apenas uma aplicação de agroquímicos, enquanto nas convencionais são necessárias de quatro a cinco aplicações, uma vez que as chuvas e ventos não interferem.
A irrigação no cultivo protegido, especialmente no convencional, é otimizada pelo sistema de gotejamento, aumentando ainda mais a eficiência do uso de água. No caso das técnicas hidropônicas e semihidropônicas, a irrigação se torna ainda mais precisa, direcionando exatamente o que as raízes necessitam, minimizando perdas por evaporação.
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Segundo Guedes, o resultado final desse cultivo é uma produção mais limpa, segura e de qualidade superior, com atratividade visual que influencia a decisão de compra do consumidor. “O brasileiro é muito visual,” comenta.
Desafios a Serem Enfrentados
No entanto, ainda existem obstáculos a serem superados. Um deles é a falta de conhecimento do consumidor sobre os benefícios dos alimentos cultivados em estufas. Para Guedes, essa é uma oportunidade que deve ser explorada por profissionais de marketing, a fim de aumentar a conscientização.
Outro desafio é a necessidade de o produtor buscar informações e capacitação, especialmente considerando a carência de profissionais qualificados para assistência. É fundamental que o agricultor tenha experiência na cultura que deseja implementar para garantir o sucesso do cultivo.
Ademais, a longevidade das estufas, que é de aproximadamente 15 anos, exige planejamento cuidadoso. Escolher um local com baixa incidência de ventos, boa luminosidade e pouca sombra é essencial, assim como evitar regiões sujeitas a alagamentos. Proximidade a fontes de energia elétrica e centros de comercialização também é recomendada para facilitar a logística do cultivo.
