A Educadora que Transformou Sucata em Conhecimento
“Ou eu abraçava esse lixo como objeto de conhecimento ou ia me lamentar que não tinha material”, afirmou Débora Garofalo, uma professora de português que encontrou uma maneira inovadora de ensinar robótica a seus alunos em uma escola municipal de São Paulo, utilizando sucata. Essa abordagem criativa não apenas ensinou novas habilidades, mas também fez com que, mais de dez anos depois, ela fosse reconhecida como a educadora mais influente do mundo, segundo a Varkey Foundation, a responsável pelo Global Teacher Prize, muitas vezes descrito como o Nobel da Educação.
O prêmio Faz Diferença, que destaca iniciativas notáveis em diversas áreas, reconheceu Garofalo na categoria Educação. Ela expressou sua gratidão dizendo que receber o Global Teacher Prize é uma evidência das competências e da criatividade dos educadores da rede pública brasileira, que possuem um impacto tão significativo quanto os melhores educadores globais. “Meu maior desejo é que meu trabalho com robótica e inovação se torne uma política pública no Brasil”, acrescentou a educadora de 46 anos.
O sucesso inicial de Garofalo em sua primeira escola gerou repercussões, permitindo que seu projeto se expandisse para outras instituições, abrangendo 5,4 mil escolas estaduais e impactando diretamente 3,7 milhões de estudantes. Além disso, ela foi fundamental na estruturação dos Ginásios Internacionais Tecnológicos (GETs) na rede municipal do Rio de Janeiro, e atualmente atua como consultora e formadora para outros educadores, compartilhando sua experiência e visão pedagógica.
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O Impacto da Educação na Vida das Pessoas
“Ser professor não é uma escolha fácil, mas é uma decisão com propósito. Esse é um caminho valioso para quem deseja fazer uma diferença real na vida das pessoas”, declarou Garofalo, refletindo sobre sua trajetória. “Ser professor é plantar todos os dias sem ver o resultado imediato. Mas, quando o resultado aparece, transforma não só o aluno, mas também quem ensina.”
Garofalo, que cresceu como uma ex-aluna de escola pública, compartilha que sua mãe, apesar de ter apenas o ensino médio, criou sozinha três filhas com uma forte valorização pela educação. Para custear sua faculdade, ela trabalhou em uma indústria, onde selecionava jovens para a linha de produção. Durante esse período, percebeu que muitos não possuíam conhecimentos básicos de tecnologia. Em 2013, ela foi aprovada em seu primeiro concurso como professora e, dois anos depois, lançou o projeto que mudaria sua vida e a de muitos alunos.
“Quando você entra em uma sala de aula, entende que não está ali apenas para ensinar conteúdos. Você lida com histórias e realidades de estudantes que, muitas vezes, enfrentam desafios que vão muito além da escola. A educação, ainda assim, é um dos poucos caminhos capazes de mudar trajetórias”, conclui.
