Entendendo o Surgimento das Crateras nas Rodovias
Recentemente, o chefe do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ademar Gondim, trouxe à tona um ensinamento essencial de hidráulica ao abordar a trágica situação da CE-025, onde o afundamento da rodovia resultou na morte de um homem. “Se vais lidar com a água, consulta primeiro a experiência e depois a razão”, enfatizou, sublinhando a importância de um estudo detalhado do solo antes de qualquer projeto.
Ademar, que possui formação pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), relembra um episódio de sua carreira militar, quando um projeto de estrada foi modificado com base em informações de moradores que conheciam o histórico da área. “É análogo à anamnese que um médico faz ao atender um paciente”, comenta. Essa comparação ilustra a relevância de uma avaliação criteriosa do local antes da execução de obras de infraestrutura.
Sem querer atribuir culpas definitivas pelo que ocorreu, o professor levanta indagações sobre a adequação da solução de engenharia adotada, especialmente considerando a natureza arenosa do terreno. Ele destaca que as normas recomendam a realização de sondagens a cada 30 metros para compreender melhor as condições do solo. Para prevenir problemas, a aplicação de um leito de brita, por exemplo, poderia ter sido uma alternativa. Contudo, segundo Gondim, o revestimento que observou era insuficiente para o tipo de tráfego esperado.
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Fatores que Contribuem para a Degradação do Pavimento
Um dos pontos que Ademar coloca em discussão é se a estrada foi dimensionada corretamente para suportar o tráfego, questionando se a infraestrutura foi projetada apenas para veículos leves. Apesar de a CE-025 ser uma via turística com baixa circulação de caminhões, a presença de geradores eólicos na região pode trazer um impacto no tráfego que merece atenção.
Gondim explica que, em condições secas, o pavimento pode desenvolver microfissuras. Quando ocorrem chuvas, a água infiltra-se e satura o solo, comprometendo sua consistência e podendo ocasionar deslizamentos ou a formação de buracos. “A areia pode ser altamente resistente, mas apenas quando está confinada. É crucial controlar a fuga de areia, pois isso reduz a resistência do material”, destaca.
Outro aspecto que gera preocupação é o modelo de licitações públicas, que prioriza o menor preço. Ademar questiona se essa abordagem não resulta, muitas vezes, na escolha de materiais de qualidade inferior. Ele cita o exemplo de Paulo Porto Lima, que afirma que sempre haverá alguém disposto a realizar obras de forma mais barata, mas isso pode comprometer a durabilidade e segurança das estradas.
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Fonte: belembelem.com.br
A Indústria da Construção e as Respostas às Críticas
Desde o evento trágico na CE-025, a construtora responsável pela obra, a CLC (Construtora Luiz Costa), não se manifestou publicamente. Esta empresa foi a responsável pela duplicação de 7,2 km da rodovia, que foi inaugurada em 2021 a um custo de R$ 28,9 milhões, envolvendo pavimentação asfáltica, drenagem, construção de ponte e iluminação.
Em um paralelo, a coleta de resíduos sólidos na cidade de Fortaleza também está passando por transformações. O secretário de Conservação e Serviços Públicos, Abreu Machado, anunciou um novo método de coleta domiciliar que é mais eficiente e econômico. A mudança visa eliminar a coleta especial urbana, que é mais cara e menos eficaz.
No contexto do Pirambu, um projeto piloto de coleta domiciliar está sendo implementado, com resultados promissores na redução de custos. Abreu comenta que, com a implementação desse novo modelo, a cidade já economizou R$ 230 mil. No entanto, ele reconhece a necessidade de melhorias nas ruas secundárias, onde as condições ainda são desafiadoras.
Desafios e Avanços na Infraestrutura de Fortaleza
Ademar Gondim, ao abordar as questões referentes às infraestruturas rodoviárias e a necessidade de uma gestão mais eficaz, destaca a importância de um olhar crítico e atento às particularidades de cada local. A falta de intervenção em feriados e a necessidade de manutenção constante são fatores que contribuem para a deterioração das vias. Ele antecipa que, no futuro, o foco deve ser na qualidade das obras, não apenas no custo.
