Transformação Cultural em Rondônia
A Lei Paulo Gustavo (LPG) vem atuando como um verdadeiro catalisador para o cinema em Rondônia, permitindo uma rica diversidade de narrativas que vão desde curtas-metragens de terror psicológico até documentários musicais. Essa política pública de fomento cultural tem permitido um aumento significativo na produção audiovisual no estado, ampliando a circulação das obras tanto nacional quanto internacionalmente.
O curta-metragem Mucura, do cineasta Fabiano Barros, é um exemplo claro desse impacto. Selecionado no 46º Fantasporto, um festival em Portugal voltado ao cinema de fantasia e horror, o filme recebeu R$ 100 mil por meio da LPG. Fabiano destaca a importância das políticas públicas para regiões historicamente marginalizadas no circuito cultural do Brasil: “Elas possibilitaram que novas vozes emergissem, que narrativas amazônicas fossem valorizadas e que o cinema local alcançasse reconhecimento”, afirma.
Fabiano Barros acredita que o fortalecimento do cinema em Rondônia é resultado direto do apoio governamental. “A Lei Paulo Gustavo não apenas ajudou a profissionalizar equipes e estruturar produtoras locais, mas também promoveu a exibição de nossos filmes em festivais, criando condições para um desenvolvimento sustentável do audiovisual no estado”, explica o cineasta.
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O filme, que será apresentado nesta quinta-feira (5) no festival português, aborda o tema do luto materno, explorando os sentimentos profundos e complexos da maternidade. “Escolhi o horror psicológico como gênero porque ele ajuda a materializar emoções difíceis de expressar de outra forma”, comenta Barros, refletindo sobre o dilema da perda e do medo que permeiam a experiência da maternidade.
Valorização da Produção Local
Juraci Júnior, diretor, ator e roteirista, também ressalta a importância da LPG no fortalecimento do audiovisual em Rondônia. “Sempre fomos representados, mas nunca com a nossa verdadeira essência. Agora, com essa lei, temos a chance de contar nossas próprias histórias e decidir como queremos se apresentar ao mundo”, enfatiza Juraci.
De acordo com o cineasta, os resultados são visíveis. “Na última edição do Festival Olhar do Norte, que destaca o cinema da Amazônia, foram três filmes de Rondônia selecionados, um número consideravelmente maior do que o do ano anterior, que foi apenas um. Isso é um reflexo claro do investimento promovido pela Lei Paulo Gustavo”, observa.
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Em um edital municipal, Juraci obteve recursos para o documentário musical Concerto de Quintal, que recebeu R$ 350 mil e venceu prêmios significativos em festivais, incluindo o 22º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá – Cinemato. “Essas políticas públicas são fundamentais para profissionalizar a cadeia produtiva do audiovisual em Rondônia, permitindo que nossos sonhos e ideias se tornem realidade”, conclui Júnior.
Cinema como Ferramenta de Conscientização
Os efeitos sociais da violência sexual são temas abordados no curta Quarto Escuro, que recebeu R$ 100 mil da LPG. O diretor Carlos Santana destaca o poder do cinema em provocar reflexão e ampliar o debate sobre questões frequentemente silenciadas. “Filmes que tratam desses assuntos contribuem para a conscientização e para o diálogo na sociedade”, argumenta.
Para Santana, a LPG, junto à Política Aldir Blanc, representa um marco histórico no investimento cultural no Brasil. “Essas iniciativas aumentam o acesso a recursos e fortalecem produções fora dos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, promovendo assim uma diversidade de narrativas e valorizando identidades regionais”, ressalta o cineasta.
Campanha Todos Juntos por Todas
No mês de março, o Governo do Brasil reitera a importância da campanha Todos Juntos por Todas, parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Essa iniciativa reúne os Três Poderes na luta pela prevenção e responsabilização nas situações de violência contra mulheres. Obras como Quarto Escuro são essenciais para ampliar essa discussão e destacar o poder da sociedade na formulação de políticas que garantam e respeitem os direitos das mulheres.
