Nomeação que Levanta Questões
A política em Juazeiro do Norte virou um verdadeiro campo de batalha nos últimos dias. O vereador Lukão, do PSDB, levantou a voz contra a nomeação de Leonardo de Dr. Gudy, que atua como vereador na cidade vizinha de Grangeiro, para uma função na Secretaria de Esporte de Juazeiro do Norte. A dúvida me parece válida: como um vereador de Granjeiro consegue, ao mesmo tempo, desempenhar funções em uma cidade a 70 quilômetros de distância? É possível que ele participe das sessões na Câmara de Granjeiro enquanto atende suas responsabilidades em Juazeiro do Norte? Essas perguntas foram feitas pelo próprio Lukão, que não deixou a polêmica passar em branco. Outro vereador a questionar a situação foi o Capitão Vieira, do MDB.
Após as denúncias, o prefeito de Juazeiro do Norte, Gledson Bezerra, não hesitou em se pronunciar. Ele defendeu a contratação de Leonardo Alexandre Marques de Freitas como coordenador de iniciação esportiva na Secretaria de Esporte e Juventude, realizada em dezembro de 2025. Segundo Gledson, Leonardo é natural de Juazeiro do Norte, possui formação em Educação Física pela Universidade Regional do Cariri e é plenamente qualificado para o cargo. O prefeito ainda lembrou que Leonardo já havia desempenhado papéis semelhantes em gestões passadas, sob a liderança dos ex-prefeitos Dr. Arnon, Dr. Raimundo e Dr. Santana, afirmando não ver irregularidade alguma na nomeação.
Gledson Bezerra ressaltou, ainda, que o Centro de Iniciação Esportiva funciona até as 21h, o que, segundo ele, não conflita com as sessões da Câmara Municipal de Granjeiro, que ocorrem apenas duas vezes por mês. A afirmação do prefeito visa dissipar as preocupações acerca da carga horária e do comprometimento de Leonardo com suas funções em ambas as cidades.
Entretanto, a inquietação do vereador Lukão não se restringe ao acúmulo de cargos. Ele também expressou sua preocupação com o fato de a nomeação ocorrer em um período pré-eleitoral. “Essas ações em tempos eleitorais costumam levantar suspeitas”, ponderou o vereador. Comenta-se, nos bastidores, sobre possíveis articulações políticas que poderiam estar por trás da escolha, provocando ainda mais debates sobre a legitimidade da decisão.
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Para embasar sua argumentação, o prefeito citou a Constituição Federal e a legislação pertinente que permitem a acumulação de funções públicas em circunstâncias específicas. Ele também trouxe à tona sua própria experiência, lembrando que, no passado, exerceu simultaneamente o cargo de agente da Polícia Civil e o mandato de vereador. Gledson ainda mencionou outros parlamentares que estão em situações semelhantes, mostrando que não é um caso isolado.
O cenário político de Juazeiro do Norte promete esquentar ainda mais com a proximidade das eleições e, com isso, novas questões sobre a legalidade e a ética nas nomeações públicas devem continuar a ser discutidas. A população, certamente, ficará atenta aos desdobramentos dessa polêmica, que reflete o clima tenso e de desconfiança que costuma acompanhar o período eleitoral.
