Encontro Desmistifica a Lei Rouanet
O palco do teatro da Universidade de Caxias do Sul se transforma em um espaço de aprendizado e troca. A Lei Rouanet, até então uma ideia distante, ganha significado concreto durante a itinerância da Comissão Nacional de incentivo à cultura (CNIC), realizada esta semana. O evento serve como um ponto de encontro onde a política pública é traduzida em orientação prática, promovendo um diálogo ativo entre os que fazem a cultura nos territórios.
Nesta quarta-feira (6), a programação incluiu apresentações e painéis, criando um ambiente propício para que produtores culturais, artistas, gestores e estudantes se reunissem em busca de informações valiosas para transformar seus projetos em realidade.
“Nosso desafio agora é fazer esse crescimento chegar na ponta. Quando a gente aproxima a política pública dos territórios, transforma informação em acesso”, destaca o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha. A intenção é democratizar o conhecimento e facilitar o acesso aos recursos disponíveis.
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Da Teoria à Prática: Transformando Projetos em Realidade
Karine Silva, uma produtora cultural presente no encontro, procura exatamente essa conexão. Atuando em projetos de formação musical, como os Coros do Moinho e a Oficina de Choro da Serra Gaúcha, ela revela que já teve experiências anteriores com a Lei Rouanet, mas ainda não a utiliza com frequência. “Vim buscar mais informações e entender melhor como acessar”, conta. Para Karine, o evento oferece uma visão mais clara do processo, facilitando o planejamento dos próximos passos e o crescimento de suas iniciativas.
Rafaela Almeida, chefe da divisão de incentivos fiscais do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), observa a presença ativa do público. “As salas estavam cheias, com uma participação entusiástica. Muitas pessoas já tinham experiência com projetos e vieram aprofundar seus conhecimentos e trocar experiências”, explica ela, ressaltando a importância da conexão local.
Fortalecendo Redes e Oportunidades
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Márcio Allend, vice-presidente da Associação Cultural Essência Cigana do Brasil e coordenador de um grupo com mais de 15 anos de atuação em Caxias do Sul, enfatiza a relevância do diálogo direto com o Ministério da Cultura. Para ele, esta interação é um passo estratégico em direção à ampliação do alcance de iniciativas que já estão consolidadas, mas que enfrentam desafios para se expandir.
O trabalho do grupo de Márcio, que visa valorizar a cultura cigana, abrange diversas linguagens e se compromete com a preservação da memória e identidade cultural. Ele assinala que a itinerância da CNIC propicia um ambiente raro de escuta e aproximação institucional. “Essa abordagem é crucial. Podemos entender melhores os caminhos e disseminar essa informação para outros grupos e coletivos”, afirma.
Apesar de muitos produtores conseguirem estruturar projetos, a captação de recursos é um desafio significativo. Acesso a informações qualificadas e contato direto com gestores públicos são essenciais para ajudar a enfrentar essas barreiras. “A cultura é criada coletivamente. Quanto mais a informação circula, mais projetos conseguem se desenvolver e atingir novos públicos”, completa Márcio.
Formação: Um Caminho Fundamental
Outro ponto alto do evento foi a masterclass dedicada ao audiovisual, focando em roteiros para longa, média e curta-metragem, ministrada pelo comissário Rafael Peixoto. Kiwi Bertolla, produtora executiva, diretora e roteirista, aponta que a circulação de obras enfrenta desafios que exigem estratégias de distribuição eficazes para garantir que os projetos alcancem seu público.
“O processo requer um entendimento burocrático que muitas vezes não está ao alcance de todos. Há artistas com trabalhos consistentes que não dominam essa linguagem”, ressalta Kiwi. Ela acredita que a formação, como as masterclasses oferecidas, é crucial para garantir uma maior autonomia dos artistas na proposição e na tomada de decisões sobre seus projetos e remuneração.
A envolvimento do setor privado também é destacado por Kiwi como essencial. Ela observa que existe um desconhecimento sobre o impacto do investimento em cultura, o que afeta diretamente a captação de recursos. “Investir em cultura é investir no desenvolvimento da cidade e na economia local”, enfatiza, sublinhando que projetos culturais precisam ser viabilizados para que o impacto social se materialize.
