Agro cearense em expansão e desafios de infraestrutura
O agronegócio cearense será destaque na terceira edição do Cresce Ceará, marcada para a próxima quinta-feira (21), em Fortaleza. Realizado no Gran Mareiro Hotel, na Praia do Futuro, o encontro promete reunir empresários, produtores rurais, especialistas e representantes públicos para discutir as principais barreiras que influenciam a competitividade do setor. Segundo estimativas do segmento, o agronegócio local cresceu cerca de 5% no último ciclo, mas ainda esbarra em problemas de infraestrutura e em custos elevados de transporte e energia.
Surpreendentemente, muitos produtores relatam que a limitação de opções de escoamento coloca parte da produção de frutas e grãos em risco antes mesmo de chegar ao mercado. “A gente planta, colhe, mas, diga-se de passagem, nem sempre conseguimos entregar tudo no destino final em boas condições”, comenta um pequeno agricultor, que preferiu não se identificar. Com inscrições gratuitas, o evento quer ampliar o diálogo sobre soluções práticas para esses gargalos.
Logística no agronegócio: superando gargalos
No primeiro painel, “Logística no agronegócio: traçando caminhos para o crescimento”, nomes como João Teixeira, idealizador do Arco Metropolitano, Alex Trevisan, diretor comercial da Transnordestina Logística, e Edson Brok, CEO da Brok Fresh, Tropical Nordeste Fruit e Brok Logística, vão apresentar propostas para otimizar rotas e integrar diferentes modais de transporte. As discussões devem abordar desde a melhoria das rodovias até a potencialização de ferrovias e terminais portuários.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
Um especialista, que preferiu não se identificar, aponta que cerca de 70% da produção do Estado ainda depende exclusivamente do transporte rodoviário. “Isso gera um custo mais alto e aumenta a vulnerabilidade diante de chuvas fortes, greves e outros imprevistos”, explica. Entre as alternativas em análise estão projetos de expansão de pavilhões de carga e parcerias público-privadas para manter estradas e pontes em condições adequadas durante todo o ano.
Energia e competitividade: luz sobre o campo
O segundo painel, “O papel da energia no novo ciclo de expansão do agro cearense”, reunirá Raimundo Delfino, proprietário da Fazenda Nova Agro; José Nunes, presidente da Enel Ceará; e Rita Grangeiro, proprietária da Fazenda Grangeiro e CEO da My Coco. A pauta central é o impacto da matriz energética na produtividade e nos custos de produção. Fontes renováveis, como solar e biomassa, estão na mira como soluções para reduzir contas e ampliar a segurança de abastecimento.
Dados de consultorias do setor sugerem que uma fazenda equipada com painéis solares pode cortar até 30% dos gastos com eletricidade no irrigação e processamento. O resultado? Mais renda no bolso do produtor e menor exposição a variações de preço no mercado livre de energia. “É um caminho sem volta. Quem não acompanhar essa tendência corre o risco de ficar para trás”, avalia um consultor presente ao evento.
Além dos debates técnicos, o Cresce Ceará aposta em momentos de networking, com espaço para troca de experiências entre lideranças empresariais, órgãos públicos e pesquisadores. Um dos desdobramentos práticos previstos é a criação de grupos de trabalho para implantar iniciativas discutidas durante os painéis.
Com isso, espera-se que as soluções apresentadas no encontro reflitam diretamente na redução de custos logísticos, na ampliação de fontes de energia limpa e, por consequência, no fortalecimento do agro cearense. No final, o impacto será visto tanto no aumento de renda dos produtores quanto na oferta de alimentos e insumos para toda a cadeia econômica do Estado.
