Fiec promove avanço da Economia Azul no Ceará com o Ocean Summit 2026
Nos dias 9 e 10 de outubro, a Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), será palco do Ocean Summit 2026. O evento reunirá toda a cadeia produtiva da Economia Azul, setor que engloba as atividades econômicas ligadas à exploração sustentável dos recursos marinhos, que vão desde a pesca ao petróleo, passando pela energia eólica e a aquicultura.
Promovido pelo Observatório da Indústria, braço tecnológico da Fiec, em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o encontro atrairá empresários, pesquisadores, professores e estudantes universitários interessados na crescente Economia do Mar. A programação inclui reuniões de negócios que facilitarão o contato entre investidores e produtores dedicados à exploração sustentável dos recursos oceânicos.
Economia Azul: um caminho sustentável e lucrativo para o Ceará
Na abertura do evento, o empresário e cientista belga Gunter Pauli, criador do conceito Economia Azul, reforçará a importância do mar como fonte de inovação para medicamentos, química e novas tecnologias de construção. Em novembro de 2023, durante uma missão empresarial da Fiec em Portugal, Pauli destacou o potencial do Brasil para investir na produção e beneficiamento industrial de algas marinhas, apontando que o país, com seus mais de 8 mil quilômetros de costa, pode explorar essa atividade sustentável e altamente rentável.
Segundo Pauli, as algas marinhas possuem valor comparável ao do petróleo, com a vantagem de integrarem uma cadeia produtiva 100% sustentável e com alta lucratividade, reforçando a importância da diversificação e do investimento na Economia Azul para o desenvolvimento econômico regional e nacional.
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Fonte: acreverdade.com.br
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Desafios e oportunidades para o setor pesqueiro cearense
O Ceará emprega atualmente mais de 4 mil pessoas na Economia Azul, principalmente no setor pesqueiro, que ainda enfrenta desafios significativos. De acordo com dados do Observatório da Indústria de 2021, a cadeia produtiva do pescado carece de maior inserção tecnológica, utilizando predominantemente processos manuais no beneficiamento e extração. Além disso, a falta de capacitação dificulta a adequação dos pescadores às normas sanitárias e ambientais vigentes, limitando o acesso a mercados nacionais e internacionais.
O setor ainda sofre com a ausência de informações estruturadas que permitam um planejamento estratégico eficaz. Essa lacuna impacta diretamente na capacidade de crescimento e na geração de empregos, reduzindo o potencial econômico da região.
Iniciativas da Fiec para fortalecer a Economia do Mar no Ceará
Desde 2021, a Fiec tem liderado esforços para potencializar a Economia Azul no estado, com investimentos voltados para o turismo, captura e beneficiamento de pescados, muitos dos quais são exportados. O Observatório da Indústria desenvolve um programa específico para apoiar o setor, com metas claras:
1) Implementar automação na cadeia produtiva pesqueira;
2) Promover a transformação digital nas empresas de aquicultura;
3) Estruturar bases de dados sobre o potencial do setor;
4) Realizar eventos para divulgar a importância da Economia do Mar;
5) Adequar embarcações pesqueiras às legislações vigentes;
6) Viabilizar a certificação internacional da pesca no Ceará.
Essas ações buscam superar os entraves tecnológicos e regulatórios, ampliar a competitividade do setor e garantir a sustentabilidade ambiental, criando um ambiente propício para o crescimento econômico e geração de empregos.
Crescimento global da Economia Azul e seu impacto no Ceará
Um estudo global de 2020 realizado pela consultoria PwC, citado pelo Observatório da Indústria, mostrou que entre 2017 e 2018 quase todas as atividades da Economia Azul apresentaram crescimento. Destacou-se a movimentação anual de contêineres, que avançou 26,77%, seguida pela extração de gás natural (17,65%), produção de camarão, ostras, vieiras e mexilhões (10,14%), movimentação anual de navios (9,29%) e produção de aquicultura (8,86%).
Esses números indicam que a atividade pesqueira e outras relacionadas ao mar estão em expansão, criando novas oportunidades para o Ceará no cenário nacional e internacional. Contudo, a globalização impõe desafios que exigem a adoção de tecnologias para aprimorar processos produtivos, organizacionais e de gestão do conhecimento.
Superar essas barreiras será essencial para que o setor pesqueiro local aproveite todo o seu potencial, promovendo desenvolvimento econômico sustentável, geração de renda e emprego na região.
