Oportunidades da Economia Azul no Ceará
O Ceará está diante de uma oportunidade singular para diversificar sua matriz econômica por meio da Economia Azul, que significa explorar, de maneira sustentável, os recursos do mar. Esse foi o tema central do Ocean Summit 2026, evento realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que reuniu especialistas, empresários e pesquisadores em debates intensos ao longo de dois dias.
O destaque ficou por conta do belga Gunter Pauli, que detalhou as vantagens do cultivo e do beneficiamento das Algas Marinhas – um segmento com grande potencial no Ceará, graças às condições ambientais favoráveis. Pauli compartilhou experiências internacionais que comprovam o impacto social e econômico desse tipo de produção.
Exemplos internacionais que inspiram o Ceará
Na Tanzânia, por exemplo, um projeto liderado por Pauli mobiliza 20 mil mulheres que obtêm renda a partir da coleta e processamento de algas nas praias. A multiplicação das mudas de algas chega a ser cem vezes maior do que a inicial, utilizando técnicas simples como cordas de nylon para cultivo em áreas de pântano.
No Japão, as algas são cultivadas não só para alimentação humana, mas também para alimentar camarões criados em cativeiro, ampliando a cadeia produtiva. Já no Vietnã, a combinação de algas com fertilizantes reduz em 70% o consumo de água no cultivo de arroz, mostrando a versatilidade desse recurso marinho.
Além disso, a Indonésia emprega cerca de um milhão de pessoas na produção industrial de algas, que são exportadas para diversos países e usadas em fabricação de alimentos e tecidos. Gunter Pauli ressaltou que, na Ásia, já existem indústrias têxteis que produzem tecidos com fibra de algas marinhas, uma alternativa sustentável às fibras tradicionais como algodão e nylon.
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Fonte: bahnoticias.com.br
O futuro promissor da Economia Azul global
Um dado surpreendente apresentado foi o projeto chinês que envolve 40 milhões de crianças por ano no aprendizado do mergulho. Esse programa visa formar uma força jovem para cultivar algas marinhas e desenvolver outras atividades ligadas à Economia Azul, com uma projeção de 400 milhões de jovens mergulhadores em uma década.
Esse movimento global reforça a importância do Ceará investir nessa área, aproveitando seu potencial natural e tecnológico para criar novas indústrias e gerar empregos.
Engajamento acadêmico e empresarial no Ceará
No encerramento do Ocean Summit, o clima foi de otimismo e cooperação. O evento contou com a participação do português Miguel Marques, referência na Economia do Mar em Portugal, que destacou a parceria com a Fiec e o intercâmbio entre os dois países para fomentar projetos sustentáveis.
Marques ressaltou o entusiasmo dos jovens pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), incluindo integrantes do Laboratório do Mar (Labomar). Eles manifestaram satisfação em participar do evento, reconhecendo a importância de aproximar ciência, indústria e mercado.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Por videoconferência, a professora Teresa Mouga, da Universidade de Leiria Oeste, em Portugal, compartilhou os esforços de sua instituição para orientar investimentos privados na Economia Azul, reforçando a necessidade de pesquisa aplicada e inovação.
Desafios e perspectivas para o Ceará
Para que o Ceará se destaque na Economia Azul, é fundamental a formação de uma base sólida de empresários dispostos a investir em biotecnologia e inovações sustentáveis. Miguel Marques expressou confiança de que, assim como em Portugal, o estado poderá reunir empresas de diferentes portes para impulsionar esse setor.
O Ocean Summit 2026 coincidiu com o Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho, simbolizando o compromisso da região com o uso responsável e inteligente dos recursos marinhos. A partir daqui, o desafio é transformar conhecimento e potencial em oportunidades concretas de emprego, renda e desenvolvimento econômico.
O Ceará, com seu ambiente propício e o engajamento crescente de pesquisadores e empresários, tem tudo para se tornar referência em novas indústrias ligadas à Economia Azul, impactando diretamente a produção local, o mercado de trabalho e a sustentabilidade regional.
