Economia Azul no Ceará: Crescimento Expressivo com Desafios na Remuneração
A economia azul no Ceará apresenta um crescimento significativo, embora mantenha uma base produtiva tradicional e com baixa intensidade tecnológica em comparação ao restante do Brasil. Essa característica é evidenciada pela remuneração média dos trabalhadores formais do setor: enquanto o valor nacional alcança R$ 8.743,74, no Ceará esse rendimento é de R$ 3.358,67, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apresentados pela especialista em Inteligência Competitiva do Observatório da Indústria Ceará, Rayssa Costa.
Essa diferença salarial está ligada ao nível educacional dos trabalhadores e ao tipo de ocupações predominantes na região. No Brasil, 26,3% dos trabalhadores da economia azul possuem ensino superior completo ou pós-graduação, contra apenas 12,1% no Ceará. A maior parte dos empregados cearenses tem até o ensino médio completo (62,9%) ou ensino fundamental (25%), o que impacta diretamente o tipo de atividade e a remuneração dentro do setor.
Produção de Pescado: Crescimento de 353% entre 2014 e 2023
Apesar dos desafios, a economia azul movimenta bilhões no Ceará e demonstra avanços expressivos na produção e receita. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a produção de pescado no Estado cresceu 353,4% entre 2014 e 2023, atingindo a marca de R$ 1 bilhão em 2023.
O perfil das atividades ligadas ao mar no Ceará também difere do restante do país. Enquanto a indústria é o foco nacional, com atividades como operadores portuários e extração de petróleo e gás natural dominando, a economia azul cearense concentra empregos formais em atividades de menor remuneração, como a criação de camarões em água salgada, que responde por 31,5% dos empregos no setor formal, seguida por operadores portuários (25,9%) e fabricação de conservas (12%).
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Empregos Formais Crescem 14,2%, mas Ritmo é Inferior ao Nacional
Entre 2022 e 2025, o Ceará aumentou em 14,2% o número de empregos formais nas atividades relacionadas ao mar, passando de 7.655 para 8.736 postos. Embora positivo, esse crescimento fica abaixo da média nacional, que teve expansão de 34%, saindo de 245.858 para 302.631 empregos.
Outro indicador que evidencia a predominância da economia azul tradicional no Ceará é a frota de embarcações. Dados da Marinha do Brasil mostram que, em 2025, o Estado segue utilizando principalmente canoas, jangadas e pesqueiros, enquanto no Brasil a frota é mais diversificada e inclui lanchas, botes e motos-aquáticas, voltadas tanto para lazer quanto para transporte.
Crescimento da Aquicultura e Exportações Indicam Potencial de Expansão
A economia azul cearense também se destaca no segmento da aquicultura, que inclui a criação de camarões, ostras, vieiras e mexilhões. Entre 2013 e 2024, a produção cresceu 118,5%, alcançando R$ 1,8 bilhão em 2024, acima do incremento nacional de 89,7%, que chegou a R$ 3,5 bilhões no mesmo período. O Ceará lidera como principal produtor de camarão no Brasil, com 83,8 mil toneladas em 2024, representando 57,1% da produção nacional.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) também apontam um avanço nas exportações relacionadas ao setor marítimo. Entre 2022 e 2025, houve um crescimento de 7,6% no valor exportado, que atingiu US$ 102,4 milhões em 2024, colocando o Ceará na quinta posição no ranking nacional. Os principais produtos exportados são peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos.
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Movimentação Portuária e Energia Eólica Offshore
Além da produção e exportação, a movimentação portuária no Ceará também cresce acima da média nacional. Conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), entre 2016 e 2025, o volume movimentado pelos portos cearenses aumentou 14,6%, passando de 15,9 milhões para 18,2 milhões de toneladas. No mesmo período, o crescimento nacional foi de 3,4%, com o volume total chegando a 1,04 bilhão de toneladas. O Ceará ocupa a 12ª posição no País e a 4ª no Nordeste nesse ranking.
Outro destaque é o setor de energia eólica offshore, em que o Estado figura em segundo lugar no Brasil em número de projetos em análise, com 16 iniciativas. A área total em licenciamento no Ceará soma 10.359 km², representando 24,8% do total nacional, e a potência total em licenciamento chega a 36.187 MW, o que representa 27% do total do Brasil, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul, segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Esses números mostram que, embora a economia azul no Ceará ainda seja marcada pela tradição e pela menor qualificação técnica, o setor tem potencial para ampliar sua diversificação e aumentar o impacto econômico na região, gerando mais emprego e renda de forma sustentável e alinhada às características locais.
