Início promissor com aposta na continuidade
O Ceará começou a Série B apostando na manutenção da diretoria de futebol, renovando contratos e com a esperança de retomar o bom desempenho. Em dezembro, o presidente João Paulo Silva confirmou a permanência do CEO Haroldo Martins, do executivo Lucas Drubscky e do coordenador técnico João Paulo Sanches. Na mesma época, o clube anunciou Mozart como novo treinador, com contrato até o fim de 2026. A expectativa era que o técnico, vindo de um acesso pelo Coritiba, trouxesse resultados positivos.
No entanto, Mozart não conseguiu implementar sua filosofia de jogo e o time enfrentou dificuldades para engrenar. O elenco contou com reforços como Juan Alano, que chamou atenção após passagem pelo futebol japonês, e Matheusinho, disputado também pelo rival Fortaleza. Apesar disso, o clube manteve nomes questionados como Vina, Rafael Ramos e Bruno Ferreira, o que gerou dúvidas sobre a estratégia adotada.
Instabilidade e mudanças na gestão do futebol
Nos primeiros meses, o Ceará teve desempenho razoável no Campeonato Cearense, mas mostrou fragilidades na Copa do Nordeste. A derrota por 3 a 1 para o Retrô na segunda rodada do Nordestão, somada à perda da final do Estadual para o Fortaleza nos pênaltis, levou à demissão de Haroldo Martins e Lucas Drubscky. Mesmo com essas saídas, Mozart seguiu no comando, com a diretoria acreditando na sua recuperação.
Para substituir os dirigentes, Ricardinho, ex-volante e assessor de futebol, e Anderson Batatais, auxiliar técnico, assumiram a liderança do futebol, enquanto Gabriel Bedê passou a ser diretor. Essa nova estrutura, porém, enfrentou dificuldades por falta de experiência para lidar com os desafios da temporada.
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Queda de rendimento e troca de treinador
Em maio, Mozart optou por afastar Vina e Pedro Henrique, mas o time continuou apresentando um futebol burocrático e resultados abaixo do esperado na Série B. Após uma derrota de virada para o Operário-PR no Castelão, o treinador foi demitido. O clube trouxe o gerente de futebol Fred Gomes, que reintegrou Vina ao elenco, enquanto Pedro Henrique rescindiu contrato e assinou com o Fortaleza.
Daniel Paulista assumiu o comando em 25 de junho com a missão de reorganizar o grupo e evitar o rebaixamento. O início foi difícil, devido à escassez de opções e à pressão por resultados, já que o Alvinegro estava na zona de rebaixamento. As torcidas organizadas fizeram protestos com “público zero” nas partidas, expressando a insatisfação com a gestão.
Reforços e desafios financeiros na reta final
Durante a segunda janela de transferências, o Ceará contratou jogadores vindos da Série A, como Renzo López, Mugni, Sávio e Pavani, mas nenhum conseguiu se firmar como titular ou causar impacto relevante. Em setembro, o clube acertou o retorno do atacante Saulo Mineiro, contratado até o fim do ano. Sua chegada veio acompanhada de uma suspensão de três jogos após sua última partida pelo Shanghai Shenhua, da China. O clube obteve efeito suspensivo que permitiu sua atuação.
Apesar de atrasos salariais que afetaram jogadores, comissão técnica, futebol feminino e funcionários, o time viveu um período mais estável entre o fim de setembro e o início de outubro. Vitórias importantes contra Novorizontino, Avaí e Criciúma abriram uma vantagem temporária em relação à zona de rebaixamento.
Nova queda e risco de rebaixamento para a Série C
Após esse breve momento de recuperação, o Ceará voltou a oscilar e acumula quatro jogos sem vitória, incluindo derrotas para Botafogo-SP, Goiás e Athletic-MG. Na 37ª rodada, o time ainda corre risco matemático de rebaixamento para a Série C, refletindo o caos vivido durante a temporada. Um período marcado por decisões administrativas controversas, mudanças constantes no departamento de futebol, reformulações no elenco e dificuldades para encontrar estabilidade dentro e fora de campo.
Linha do tempo dos principais erros do Ceará em 2026
Dezembro de 2025: Após rebaixamento, diretoria é mantida com renovações para Haroldo Martins, Lucas Drubscky e João Paulo Sanches.
Início de 2026: Contratações como Juan Alano e Matheusinho; permanência de jogadores contestados.
Março: Demissão de Haroldo Martins e Lucas Drubscky após derrotas no Estadual e Nordestão; Ricardinho, Anderson Batatais e Gabriel Bedê assumem.
Maio: Mozart afasta Vina e Pedro Henrique, depois é demitido; Fred Gomes contratado como gerente.
Maio e junho: Reformulação do elenco e protestos da torcida.
Segunda janela: Contratações sem impacto.
Setembro: Retorno de Saulo Mineiro com suspensão inicial; efeito suspensivo garantido.
Setembro e outubro: Crise financeira com atrasos salariais.
Final de setembro e início de outubro: Vitórias importantes abrem vantagem sobre a zona de rebaixamento.
Novembro: Queda de rendimento e risco real de rebaixamento à Série C.
