Fortaleza e sua Participação no PIB do Ceará
Em 2023, Fortaleza se consolidou como a maior contribuinte do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará, representando 37,44% da economia estadual, algo em torno de R$ 86,93 bilhões em um total de R$ 232,23 bilhões. Entretanto, é importante notar que a capital vem experimentando uma diminuição na sua participação ao longo das últimas duas décadas. Nos anos 2000, a fatia de Fortaleza no PIB cearense era de 46,71%, um percentual que se manteve estável em 2010, com 46,64%. Em 2021, observou-se uma queda para 37,68%, seguido de um leve aumento para 38,09% em 2022, antes de recuar novamente em 2023.
Apesar dessa redução na participação relativa, Fortaleza continua liderando o ranking das capitais do Nordeste em termos de PIB. No cenário nacional, ocupa a oitava posição, superando Salvador, que está em nono, e Recife, que vem em 11º lugar. Essa performance reafirma a posição de Fortaleza como um dos principais polos econômicos do Brasil.
Posição Nacional e Dinâmica Econômica
No panorama geral dos municípios brasileiros, Fortaleza aparece na 12ª posição do ranking nacional em 2023. Isso a coloca à frente de Salvador, que ocupa o 13º lugar, e Recife, que segue na 20ª posição. No topo da lista, São Paulo e Rio de Janeiro continuam a liderar. A queda da participação de Fortaleza no PIB total do estado sugere um processo de desconcentração de renda em todo o Ceará, indicando uma distribuição mais equitativa das atividades econômicas entre os municípios.
Essas informações são parte do estudo intitulado Produto Interno Bruto Municipal Nº 08, divulgado em dezembro de 2025. Esse trabalho analisa o PIB dos 184 municípios cearenses em diferentes períodos, como 2002, 2010, 2021, 2022 e 2023, e considera variáveis como valor adicionado bruto dos setores de Agropecuária, Indústria e Serviços, além de impostos sobre produtos líquidos de subsídios e PIB per capita.
Os Maiores PIBs do Ceará
Além de Fortaleza, outros municípios também mostraram participação significativa no PIB do estado em 2023. Maracanaú, por exemplo, respondeu por 5,83%, uma queda em relação aos 6,56% registrados em 2022. Já Caucaia teve 4,25%, enquanto Eusébio alcançou 3,13%. Outros municípios como São Gonçalo do Amarante, Sobral e Juazeiro do Norte também contribuíram com percentuais relevantes. Entre os dez maiores PIBs, seis estão localizados na Região Metropolitana de Fortaleza, enquanto os demais estão distribuídos pelo Sertão de Sobral, Cariri e Litoral Oeste Vale do Curu.
Daniel Suliano, um dos analistas de Políticas Públicas responsáveis pelo estudo, destaca que a série histórica revela que aproximadamente 72 municípios, correspondendo a 39% do total, apresentaram participação inferior a 0,1% no PIB estadual. Outros 100 municípios, cerca de 54%, tiveram uma participação que variava entre 0,1% e 1%. Em 2023, 105 municípios se encaixaram nessa faixa intermediária, enquanto 66 apresentaram participação abaixo de 0,1%.
Crescimento de Municípios e Conclusão
O levantamento também mostra que o número de municípios com participação superior a 1% no PIB estadual aumentou de 11 em 2022 para 13 em 2023. Ao longo de duas décadas, São Gonçalo do Amarante e Itaitinga se destacaram por elevar sua participação acima desse patamar. Aquiraz também se fez notar, apresentando um crescimento constante, passando de 0,88% em 2002 para uma participação mais robusta na economia estadual.
A pesquisa foi realizada por uma equipe de analistas de Políticas Públicas, incluindo Daniel Suliano, Alexsandre Cavalcante, Cleyber Medeiros, Nicolino Trompieri, Paulo Pontes e Witalo Paiva, com a colaboração da assessora Ana Cristina Lima Maia, todos vinculados à Diretoria de Estudos Econômicos (Diec), sob a supervisão de Ricardo Pereira.
