A Realidade Preocupante da Violência de Gênero
A região do Cariri enfrenta um aumento alarmante nos casos de violência contra mulheres, atingindo números recordes em 2025. De janeiro a novembro, foram 3.986 incidentes registrados nas Delegacias locais, de acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Este é o maior número registrado desde o início da série histórica, em 2015, e reflete um cenário preocupante que exige ação imediata.
Nos últimos dez anos, as estatísticas de violência apenas cresceram. Em 2015, 1.792 mulheres procuraram as autoridades para denunciar agressões. No ano passado, antes mesmo da divulgação dos dados de dezembro, o total já se aproximava da barreira dos quatro mil casos, um indicativo claro de que a situação se agrava a cada dia.
Subnotificações: Um Problema Oculto
A preocupação com o crescimento da violência no Cariri vai além das estatísticas. Muitas agressões não chegam ao conhecimento das autoridades, caracterizando o fenômeno das subnotificações. Por medo ou vergonha, muitas vítimas hesitam em denunciar os agressores, perpetuando o ciclo de violência. É importante lembrar que, em muitos casos, o agressor é alguém próximo, alguém que um dia jurou amor.
Curiosamente, mais da metade dos casos de violência contra a mulher reportados pela SSPDS na região ocorrem entre a noite e a madrugada, momentos em que os casais geralmente estão juntos. Nesses horários, a casa, que deveria ser um refúgio, se transforma em uma verdadeira prisão.
Desafios Após a Denúncia
Quando as vítimas finalmente conseguem superar o medo e entregar seus agressores à Justiça, o desafio não termina. O dia seguinte traz novas dificuldades: a necessidade de encontrar um novo lar, as incertezas sobre o futuro e os impactos nas relações familiares. Nesse momento de vulnerabilidade, o apoio psicológico e emocional é fundamental para a recuperação das vítimas.
Um Porto Seguro: A Casa da Mulher Cearense
No Cariri, a Casa da Mulher Cearense, situada em Juazeiro do Norte, se apresenta como um refúgio para aquelas que buscam escapar da violência. Desde sua inauguração em março de 2022, mais de 80 mil mulheres já foram atendidas, conforme informações da rádio O POVO CBN Cariri. Diariamente, pelo menos treze novas vítimas buscam ajuda, segundo a coordenadora do espaço, Mara Guedes.
As mulheres atendidas na Casa são acolhidas por uma equipe multidisciplinar, composta por assistentes sociais e psicólogas. Esses profissionais trabalham em colaboração com os órgãos da Justiça, formando uma rede de apoio que visa garantir a segurança das vítimas e afastar os agressores.
Esse trabalho integrado é essencial para que as mulheres possam reconstruir suas vidas, longe da violência e com o suporte necessário para enfrentar os desafios que virão. É um passo importante para a construção de uma sociedade mais justa e segura, onde as mulheres possam viver sem medo de agressões.
