Ações Judiciais e Polêmicas Políticas
A recente prisão de Nicolás Maduro gerou uma onda de discussões nas redes sociais brasileiras, totalizando cerca de 83 milhões de interações. O contexto polarizado entre a esquerda e a direita no Brasil se intensificou, levando o Partido dos Trabalhadores (PT) a tomar medidas judiciais contra figuras da oposição que associaram o partido e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico.
Nesta terça-feira, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, formalizou uma representação à Polícia Federal contra o deputado Nikolas (PL-RJ). Farias declarou que o colega “deve ser preso por traição e atentado contra a soberania nacional”, enfatizando que suas declarações, bem como aquelas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, normalizam uma intervenção militar estrangeira no Brasil.
Em sua argumentação, Lindbergh também destacou as tentativas de Eduardo em promover sanções contra a Venezuela, ressaltando que ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo buscou intimidar a Corte nos EUA antes da condenação de Jair Bolsonaro.
O líder petista ainda mencionou Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, ressaltando que as ações se baseiam em declarações feitas em outubro. Na ocasião, após os EUA anunciarem um ataque a um barco supostamente envolvido com o tráfico de drogas no Oceano Pacífico, o senador sugeriu que os americanos atacassem “organizações terroristas” na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
“Vocês são vira-latas, defendem isso mesmo. Querem que o Brasil seja colônia norte-americana. Vamos continuar defendendo a democracia”, disparou Lindbergh em resposta às declarações de Flávio.
Processos Judiciais em Andamento
Na mesma data, o PT decidiu processar o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que chamou o partido de “narcoafetivo”. Ramuth fez essa declaração ao comentar a situação dos imigrantes venezuelanos no estado, sugerindo que o êxodo poderia levar essas pessoas de volta ao seu país, onde poderiam desfrutar de liberdade, em contraste com o que ele chamou de “estado narcoafetivo” do PT.
Ramuth lamentou que o partido no poder no Brasil, segundo ele, promove essa situação de vulnerabilidade. “O partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo”, afirmou o vice-governador.
Além disso, o PT também moveu uma ação judicial contra o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) por danos morais, após ele publicar um vídeo associando o partido e Lula ao tráfico de drogas. No vídeo, Bilynskyj ainda sugeriu que Maduro deveria ser preso, reprovando a proximidade do PT com o ex-presidente venezuelano.
O PT alegou que a narrativa espalhada por Bilynskyj é “sabidamente falsa e difamatória”, sem qualquer fundamento fático ou jurídico, e que ganhou grande repercussão nas redes sociais, especialmente no período pré-eleitoral.
Retórica e Respostas Controversas
Na segunda-feira, o deputado federal Reimont (PT-RJ) já havia protocolado um pedido de prisão contra Nikolas, por conta de uma sugestão de invasão da Venezuela com o objetivo de “sequestrar o Presidente da República”. Reimont requisitou também a remoção de conteúdos publicados por Nikolas e o bloqueio de suas redes sociais, levando a uma série de outras ações por parte de opositores.
Nikolas, por sua vez, defendeu-se nas redes sociais, alegando que suas postagens eram apenas memes e desafiou as reações, afirmando: “Maduro não deve ser preso por ser um ditador, mas eu devo ser preso por um meme. Vão se lascar”.
Em resposta a perguntas da imprensa após uma agenda na Santa Casa de Belo Horizonte, o deputado argumentou que sua postagem sobre Lula era uma brincadeira, mas admitiu que aceitaria uma “intervenção externa” no Brasil para que “criminosos paguem por seus crimes”.
Ele ainda destacou que não estava pedindo a captura do presidente, mas afirmou que a prisão de criminosos poderia ocorrer através de uma intervenção externa. “Agora direito internacional penal não existe mais”, complementou Nikolas, refletindo um clima de tensão política e polarização no país.
As declarações de Nikolas também levantaram debates sobre a possibilidade de intervenções externas em nações soberanas, com ele citando a retórica de Maduro que desafiou o ex-presidente americano Donald Trump.
