Uma Nova Abordagem para a Saúde do Homem
No dia 8 de janeiro de 2026, a professora Luciana da Mata, da Escola de Enfermagem da UFMG e líder do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Inovação na Saúde do Homem (NEPISH), participou de uma entrevista com o jornalista Hugo Rafael. A conversa abordou a nova legislação que estabelece a Política de Atenção Integral à Saúde do Homem, sancionada pelo prefeito Álvaro Damião e publicada no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte no final de 2025.
A lei, agora identificada como número 11.944, busca criar um ambiente mais favorável à saúde masculina, com o objetivo de melhorar as condições de vida e reduzir a mortalidade entre os homens. O documento, que teve origem na Câmara Municipal, foi aprovado sem nenhum veto, refletindo a importância do tema para a administração municipal.
De acordo com a nova legislação, o Poder Executivo tem a responsabilidade de desenvolver e implementar a política de saúde com base em diretrizes específicas. Isso inclui fornecer apoio técnico e financeiro para a execução dos serviços e promover a capacitação dos profissionais de saúde envolvidos. Um dos pontos críticos levantados na justificação do projeto é a resistência cultural dos homens em buscar cuidados preventivos e terapêuticos, o que pode agravar problemas de saúde.
A lei tem como uma de suas principais metas “acolher e integrar” os homens ao sistema de saúde, reconhecendo a importância de cuidados específicos para a população masculina. Além disso, busca garantir a integralidade da atenção à saúde, implementando mecanismos que assegurem a continuidade do atendimento em todos os níveis do sistema, com um foco especial na atenção básica e na abordagem de fatores que contribuem para doenças comuns entre homens.
Ações Educativas como Ferramenta de Transformação
Outro aspecto relevante da nova legislação é a ênfase na educação da população masculina e da comunidade em geral. A lei propõe a realização de ações educativas voltadas para a conscientização sobre prevenção, proteção, tratamento e recuperação de enfermidades que afetam os homens. Essas iniciativas podem envolver campanhas informativas e ações de comunicação em saúde, visando transformar a percepção sobre cuidados de saúde entre os homens.
As autoridades de saúde esperam que, com a implementação dessa política, seja possível quebrar barreiras culturais e estimular uma mudança no comportamento em relação à saúde, encorajando os homens a buscar informações e cuidados médicos de forma mais proativa. Luciana da Mata destacou que a educação em saúde é fundamental para alcançar esse objetivo, já que muitas vezes, a falta de informação e o estigma social afetam a disposição dos homens em procurar tratamento.
Além disso, a nova política está alinhada com as diretrizes nacionais de saúde, que já enfatizam a importância de uma abordagem integrada e inclusiva para a saúde do homem. Assim, espera-se que a Lei 11.944 não apenas traga melhorias imediatas, mas também crie um legado duradouro para as próximas gerações.
Em suma, a Política de Atenção Integral à Saúde do Homem representa um avanço significativo no reconhecimento das especificidades da saúde masculina e na construção de um sistema de saúde mais inclusivo e acessível, que atenda às necessidades desse grupo vulnerável. As expectativas estão altas quanto aos impactos que essa nova legislação terá na vida dos homens em Belo Horizonte.
