Reflexões sobre a 4ª Conferência Nacional de Cultura
Recentemente, a Universidade Federal de Goiás (UFG) entregou uma publicação significativa chamada “Construção e Produção da Programação Artística e Cultural da 4ª Conferência Nacional de Cultura (CNC): um relato cartográfico das experiências artísticas e culturais” ao Ministério da Cultura (MinC). Este evento, que ocorreu na Reitoria da UFG em Goiânia, marca um novo capítulo no legado da maior Conferência Nacional de Cultura já realizada no Brasil.
O catálogo não é apenas um registro institucional; ele é um importante documento político e metodológico que reafirma a cultura como um direito constitucional e uma ferramenta de democracia no desenvolvimento de políticas públicas. Produzido pelo Centro Editorial e Gráfico (Cegraf) da UFG, o material sistematiza a concepção, curadoria e produção da programação artística da 4ª CNC, que foi realizada em março de 2024, em Brasília.
Compromisso com a Cultura e a Inclusão
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destaca em seu texto que a 4ª CNC representa a maior interação entre o Estado e a sociedade civil em uma década. Para ela, o encontro simboliza o compromisso do Governo Federal em promover a cultura como um direito fundamental e uma ferramenta de inclusão social, desenvolvimento humano e fortalecimento da democracia.
Durante a entrega da publicação, a reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, enfatizou a importância da universidade pública na construção coletiva da conferência e na valorização da diversidade cultural do Brasil. “Esse é um trabalho bem feito, que atesta a qualidade e a grandeza da UFG”, afirmou. Segundo ela, a 4ª CNC foi “uma festa de cores, diversa e representativa”, refletindo a riqueza da diversidade cultural e a articulação entre diferentes saberes e gerações.
Urge a Valorização das Memórias Culturais
Angelita também ressaltou que a programação artística foi elaborada com a intenção de recuperar memórias culturais brasileiras e princípios essenciais, como a democracia e os direitos humanos. “Reunir diversidades e estabelecer conexões entre saberes é uma tarefa desafiadora, mas que a UFG se orgulha em realizar”, declarou, destacando o papel da Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC/UFG) como responsável pela curadoria da programação artística da conferência.
Representando o MinC, o diretor do Sistema Nacional de Cultura (SNC), Lindivaldo Oliveira Leite Junior, celebrou a entrega da publicação, enfatizando a importância de documentar processos artísticos e culturais dentro das políticas públicas. “O que você faz artisticamente, como essa produção e programação, é fundamental para a cultura brasileira e para a produção acadêmica”, pontuou.
A Programação como Parte do Debate Político
De acordo com Lindivaldo, a programação artística da 4ª CNC foi planejada como uma parte integrante do debate político e da consolidação do Sistema Nacional de Cultura (SNC), especialmente no que tange à participação social e à superação das históricas descontinuidades nas políticas culturais. “A arte esteve presente não apenas como expressão estética, mas como um pensamento político, democrático e inclusivo”, destacou.
A colaboração entre a UFG e o Ministério da Cultura foi facilitada pela vice-diretora da EMAC/UFG, Flávia Maria Cruvinel. Ela também contribuiu com reflexões na obra e acredita que o livro representa um projeto cultural fundamentado na convergência e na diversidade. “O processo curatorial e de produção foi extremamente rico, com a participação de curadores e técnicos de diversos estados brasileiros, buscando representar as cinco regiões do país e suas culturas. O foco artístico também buscou equilibrar as linguagens e expressões, promovendo representatividade e identidade, além de valorizar o patrimônio cultural brasileiro”, completou Flávia.
Estrutura da Publicação e Acesso ao Conteúdo
A obra está dividida em três partes principais: Olhar Institucional, com textos de representantes do MinC; Olhar Artístico e Cultural, que traz reflexões sobre os caminhos criativos da curadoria; e Artistas em Ação, que documenta a programação e as conferências temáticas. O livro evidencia como a programação artística da 4ª CNC foi construída com base em princípios como diversidade cultural, representação regional, educação e acessibilidade.
Flávia Maria Cruvinel acredita que a publicação será útil para a formação de gestores, produtores e artistas. “Precisamos desmistificar a ideia de que os artistas não estão envolvidos na gestão cultural. Essa obra mostra que toda a cadeia de gestão e produção foi realizada por artistas que atuam em vários espaços e territórios”, afirmou.
Com uma tiragem física limitada, a publicação está disponível gratuitamente em versão digital no Portal de Livros da UFG, ampliando o acesso ao conteúdo e destacando seu caráter formativo. Essa iniciativa se consolida como uma ferramenta de memória e mobilização, reforçando a cultura como um eixo central nas transformações sociais que o Brasil busca construir.
