Contratação Polêmica da Câmara Municipal
A Presidência da Câmara de Juazeiro do Norte tomou uma decisão controversa ao nomear Cícera Gomes de Lima como assessora parlamentar. A profissional, que já enfrentou a Justiça, foi condenada por tráfico de drogas. A nomeação, feita em dezembro passado pelo vereador Felipe Vasquez (Agir), levanta questionamentos sobre os critérios de seleção para cargos públicos. De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), Cícera é ré em ações judiciais relacionadas ao tráfico e a atividades de organização criminosa. Em um dos processos, ela foi detida e cumpriu pena em regime semiaberto.
A condenação inicial ocorreu em 24 de setembro de 2019, e a pena foi confirmada em segunda instância em 13 de julho de 2021, totalizando oito anos, nove meses e 22 dias de reclusão. Cícera começou a cumprir sua pena em novembro de 2019, após a condenação. A polêmica em torno de sua contratação começou a ganhar destaque nas redes sociais e na mídia local, com cidadãos expressando preocupações sobre a escolha de alguém com tal histórico para atuar em um cargo público.
Até o fechamento desta edição, a equipe do Opinião CE tentou obter uma resposta da Câmara Municipal sobre a decisão, mas não recebeu retorno. A falta de esclarecimentos adicionais apenas intensifica a discussão sobre a moralidade e a ética na contratação de servidores públicos.
Histórico de Contratações pela Prefeitura
Além da recente contratação pela Câmara, Cícera Gomes de Lima também teve vínculos com a Prefeitura de Juazeiro do Norte. Dados do Portal de Transparência revelam que ela firmou contratos com a administração municipal nos anos de 2021, 2022, 2023 e 2024. O setor responsável por essas contratações foi o de Manutenção de Programas de Gestão, especificamente no âmbito da Gestão Plena da Saúde, em relação ao Programa de Saúde da Família (PSF).
Essas informações levantam ainda mais questões sobre os critérios de seleção de servidores e a possibilidade de que antecedentes criminais sejam desconsiderados em nome da experiência ou da necessidade de pessoal. Cícera, portanto, se torna um nome emblemático em um debate mais amplo sobre a ética nas contratações públicas, especialmente em áreas sensíveis como a saúde.
O caso de Cícera Gomes de Lima não é único; ao redor do Brasil, diferentes cidades têm enfrentado dilemas semelhantes, onde a escolha de assessores e servidores se torna um reflexo das prioridades e valores de suas gestões. À medida que a situação continua a se desenrolar, o olhar da sociedade estará atento às respostas da Câmara e à condução dos trabalhos da nova assessora.
