Uma Análise Crítica da Política Externa dos EUA
A atual política externa dos Estados Unidos não é um fenômeno isolado, mas um reflexo da sua história marcada pela violência e pela colonização. Desde os tempos de exploração inglesa e espanhola, as relações globais dos EUA foram pautadas por um forte militarismo, que se intensifica à medida que o tempo avança. O pragmatismo característico da política norte-americana ignora, muitas vezes, os limites éticos necessários, abandonando, assim, um discurso que antes era sustentado pelo liberalismo e pelo chamado ‘politicamente correto’.
O conceito de ‘big stick’, ou do ‘cajado grande’, permanece uma constante na abordagem estadunidense, sendo a retórica o que se adapta ao momento, enquanto a força militar se mantém ativa. O ‘far west’ é mais do que um simples período histórico; é uma ideologia que legitima a expansão e a dominação, onde a força se transforma em direito, muitas vezes sendo vista como algo naturalizado.
Frantz Fanon, em seus estudos sobre o colonialismo, já indicou a alienação do colonizado, e isso se reflete nas ações de certos políticos brasileiros que se aliam à Casa Branca, indo contra os interesses nacionais. Da mesma forma, tratativas entre produtores locais e autoridades americanas revelam como interesses privados podem prevalecer sobre as nações. O direito internacional, que deveria ser um baluarte contra abusos, acaba sendo distorcido pela força militar e política, assim como as legiões romanas impunham o seu domínio na antiquidade.
A violência, portanto, é um traço que molda a alma americana. A ocupação de vastos territórios, a destruição de civilizações nativas, a escravidão e o racismo são elementos que construíram, e ainda constroem, a identidade dos Estados Unidos. No século XXI, essa brutalidade se manifesta na perseguição a imigrantes, em um país que se fundamentou na imigração. É essencial lembrar das guerras, não como defesas do território, pois raramente ameaçado, mas como ações de agressão com fins expansionistas, como exemplificado na guerra contra o México, que resultou na perda de 55% do território original.
O fenômeno do trumpismo, por mais que cause impacto, não deve ser encarado como uma anomalia, mas como parte de uma longa tradição de imperialismo que caracteriza os EUA. Como frisou Ernest Renan, ‘a nação é uma alma, um princípio espiritual’, e a ‘alma americana’ é moldada por sua história de opressão e dominação.
Imperialismo e Capitalismo: Uma Relação Intrínseca
A índole imperialista dos Estados Unidos, intensificada pela necessidade de expansão do capitalismo monopolista, revela o caráter voraz de um sistema que não pode parar de crescer. Lênin já articulava a conexão entre imperialismo e capitalismo, descrevendo-o como a fase superior caracterizada pela dominação dos monopólios. Este relacionamento é frequentemente ignorado em análises contemporâneas, mas a necessidade de conquista de novos mercados e recursos materiais permanece intrínseca ao modelo econômico americano.
O imperialismo norte-americano realmente começou a ganhar contornos contemporâneos após a I Guerra Mundial, quando a decadência europeia abriu espaço para uma nova ordem. Os EUA emergiram como os grandes vencedores, moldando um novo mundo que, mesmo após a Guerra Fria, mostrou-se dominado pela força americana. Na Conferência de Bretton Woods em 1944, a moeda norte-americana foi estabelecida como padrão global, permitindo que os EUA gerenciassem sua economia com um controle sem precedentes.
O surgimento de instituições como o FMI e o Banco Mundial solidificou ainda mais essa hegemonia, proporcionando aos EUA as ferramentas necessárias para intervir em diversas crises globais. Com o decorrer das décadas, ainda que o dólar tenha perdido parte de sua força, ele permanece uma moeda de reserva crucial, facilitando a manutenção do déficit americano.
O Cenário Geopolítico Atual: EUA, China e Rússia
Nos dias de hoje, a rivalidade entre os Estados Unidos e a China ganha destaque, à medida que esta última se torna uma potência econômica significativa, especialmente no que diz respeito ao domínio de recursos essenciais. A Nova Rota da Seda e os investimentos em tecnologia são exemplos de como a China avança no cenário global, enquanto os EUA buscam reafirmar sua influência. Contudo, essa ascensão chinesa pode representar um dilema para o futuro, dado que sua economia depende de mercados externos, incluindo os americanos.
A Rússia, por sua vez, sob uma forte agenda voltada para a segurança nacional, concentra esforços na guerra contra a Ucrânia, mas não ignora a necessidade de interagir com os EUA, um reconhecido jogador na cena global. Essa dinâmica entre os três países revela um cenário geopolítico complexo, no qual a história é um fator decisivo nas relações atuais.
Neste contexto, a história não é apenas uma sequência de eventos, mas uma força que molda as políticas e as interações internacionais. A narrativa da política externa americana é, portanto, um reflexo de um legado de dominação e expansionismo que continua a ecoar em suas ações contemporâneas. O futuro, incerto, nos convida a refletir sobre o que está por vir, à medida que as interações entre as potências globais se intensificam.
