Desafios e Oportunidades no Agronegócio
Renata Bueno, ex-parlamentar italiana e atual advogada internacional, analisa as dinâmicas do agronegócio brasileiro e latino-americano, que se posiciona como um verdadeiro motor econômico da região. Com experiência em negociações entre grandes blocos econômicos, como a União Europeia (UE) e o Mercosul, ela observa que o setor agropecuário enfrenta um momento decisivo, onde a expansão deve caminhar junto com a adaptação a novas normas e exigências regulatórias.
Nas últimas décadas, o agronegócio na América Latina tem mostrado resiliência notável, impulsionado por inovações tecnológicas e a demanda global crescente por produtos como soja, carne bovina, açúcar e etanol. Em 2025, o Brasil registrou um recorde de exportações agropecuárias, superando a marca de US$ 169 bilhões, com a China se consolidando como o principal destino. Países como Argentina, Paraguai e Uruguai também apresentaram crescimento consistente, beneficiados por investimentos estrangeiros e melhorias logísticas.
Crescimento Sustentável e Novas Regras
Entretanto, o agronegócio não pode mais expandir de forma irrestrita. Mercados maduros, como a União Europeia e a China, têm implementado barreiras regulatórias mais rigorosas. Após longas negociações, o acordo entre a UE e o Mercosul avançou em janeiro de 2026, prometendo um aumento significativo nas exportações latino-americanas. Contudo, produtos sensíveis, como carne bovina e açúcar, estarã sujeitos a cotas específicas, limitando a quantidade que pode ser exportada sem tarifas adicionais.
A expectativa é de que o intercâmbio comercial entre os blocos cresça em bilhões de euros até 2040. No entanto, essa nova realidade requer que o agronegócio da região invista em conformidade regulatória e sustentabilidade, atendendo a exigências rigorosas, como o European Union Deforestation Regulation (EUDR), que demanda rastreabilidade e certificação. Embora isso possa resultar em custos adicionais, também abre oportunidades para a valorização de produtos sustentáveis.
A Importância da Diversificação no Mercado Chinês
A China permanece como um destino crucial para as exportações agropecuárias da América Latina. Em 2023, o Brasil exportou mais de US$ 60 bilhões em produtos agrícolas para o país asiático, mas essa relação também apresenta desafios, como a imposição de cotas de importação para a carne bovina. Com limite de 1,1 milhão de toneladas em 2026 e tarifas adicionais sobre volumes excedentes, o Brasil precisa adotar uma estratégia de diversificação para reduzir a dependência desse mercado.
Ampliar mercados e investir no processamento local de produtos são passos fundamentais para agregar valor e atender às exigências chinesas. A adaptabilidade do agronegócio latino-americano será crucial para enfrentar os novos cenários da economia global.
Rumo a um Futuro Sustentável
O agronegócio da América Latina possui um potencial único para continuar sua trajetória de crescimento e liderança no abastecimento global de alimentos. A competitividade e inovação do setor são seus principais trunfos. No entanto, a nova realidade comercial exige uma abordagem responsável e sustentável.
Como defende Renata Bueno, é essencial que o governo e o setor produtivo trabalhem em conjunto, investindo em diplomacia econômica, tecnologia e segurança jurídica. A adaptação deve ser vista como uma oportunidade estratégica para consolidar a imagem da região no cenário internacional, apresentando-se como fornecedora confiável e alinhada com as demandas do século XXI.
Conclusão: O Caminho para o Sucesso
O futuro do agronegócio latino-americano se mostra promissor, mas exige decisões rápidas e planejamento a longo prazo. O compromisso com padrões internacionais será vital para que a região mantenha e amplie sua posição de destaque no comércio global.
