Reflexões sobre as intenções de Ciro Gomes e o cenário político no Ceará
Desde o início das especulações sobre a possível candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará em 2026, minha postura tem sido de ceticismo. Para quem me acompanha, é evidente que, apesar de seu entusiasmo e de sua trajetória imponente na política, a ideia de uma mudança tão drástica em seus planos pode parecer um retrocesso. Ciro, que já ocupou posições de destaque, como a gestão estadual e a liderança de ministérios, parece estar tomando um caminho inesperado, que pode colocar em risco suas aspirações de alcançar o Palácio do Planalto.
O que Ciro já conquistou em sua trajetória política é significativo, ressaltando o alto custo emocional e estratégico que uma mudança de foco pode representar. Atualmente, um contingente expressivo de brasileiros parece ver em sua figura uma liderança apta a guiar um projeto nacionalista que remete aos tempos de Leonel Brizola. Isso explica sua longa permanência no PDT, em um momento em que a troca de partidos se tornou comum entre políticos.
Com anos de experiência em observar as articulações políticas, mantenho minhas convicções. No entanto, a realidade nos impõe aceitar novos fatos, como a movimentação de Ciro em direção a uma candidatura ao governo. Seu comportamento recente demonstra que ele está disposto a construir um palanque local de oposição. Contudo, é importante destacar que a vontade sozinha não garantirá que esse projeto se concretize.
Um ponto crítico a se considerar é que, até agora, parece haver um esforço concentrado em formar alianças e obter apoio, enquanto ainda não se percebe um grupo técnico qualificado que esteja ativamente estudando os problemas do Ceará e propondo soluções concretas. As reuniões realizadas até o momento parecem servir mais para criar uma ilusão de progresso do que para gerar resultados tangíveis.
A prioridade atribuída ao aspecto político da campanha sugere que a principal motivação é unir forças para contrabalançar o PT e seus representantes locais, considerados adversários comuns. A diversidade de ideias entre os grupos aliados pode ser um desafio, que precisa ser abordado imediatamente para que a construção de um consenso não seja postergada.
Em um futuro próximo, será necessário discutir as implicações da chegada desse novo agrupamento ao poder. Embora as críticas ao governo atual sejam evidentes, pouco se sabe sobre o que se pretende implementar após uma possível vitória. Qual será a cara desta nova fase? Será a de Ciro Gomes ou a de Capitão Wagner? É essencial que esses pontos sejam esclarecidos antes que um novo governo assuma.
Recentemente, o governo Lula e seus aliados têm enfrentado uma nova onda de críticas, especialmente com a polêmica em torno do Pix e da proposta de taxação, impulsionada pela oposição, com destaque para o deputado Nicolas Ferreira (PL). Essa situação representa uma oportunidade para a administração testar uma estratégia eficaz de resposta a informações enganosas que, como observado, estão prestes a inundar o debate político e influenciar as próximas eleições. O deputado tem se notabilizado, mas não pela construção de propostas, e sim pela habilidade de provocar tempestades a partir de meias-verdades.
Enquanto Ciro Gomes tenta abrir um canal de diálogo, a figura do senador Eduardo Girão (Novo) se destaca com sua firme candidatura ao governo em 2026. Girão critica Ciro, apontando-o como parte da crise que permeia o Ceará. O apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pode ter sido um trunfo no passado, mas, com a instabilidade entre ela e os filhos do ex-presidente, Girão precisa reavaliar a relevância desse apoio na sua corrida eleitoral.
A atenção deve estar voltada para o que pode acontecer com a aliança entre União Brasil e Progressistas. Caso ocorra uma debandada, o PSD, liderado por Domingos Filho, pode se tornar ainda mais influente nas tratativas eleitorais para 2026. A especulação de migrações de figuras como Fernanda Pessoa e AJ Albuquerque para o PSD, insatisfeitas com seus atuais partidos, poderia reforçar a posição do partido e abrir novos caminhos na aliança, especialmente em relação à disputa pela vice-presidência, que ainda é incerta.
É digna de nota a atuação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que está atenta aos gastos públicos relacionados ao Carnaval. Essa postura preventiva é crucial, uma vez que a população merece ter acesso à festa dentro das limitações financeiras do Estado. O TCE está exigindo informações detalhadas de todas as gestões municipais, estabelecendo um controle rigoroso sobre os recursos públicos.
Enquanto isso, Glêdson Bezerra (Podemos), prefeito de Juazeiro do Norte, está em conflito com o governador Elmano de Freitas (PT), negando ter solicitado a realocação de verbas do Memorial Padre Cícero. Bezerra alega que o pedido refere-se ao Parque de Vaquejada, uma medida necessária diante do não cumprimento de promessas anteriores pelo governo.
Elmano, por sua vez, planeja visitar todos os 184 municípios cearenses como uma demonstração da presença de sua administração. Seu início se dará no Cariri, coincidentemente em Juazeiro do Norte, onde a ausência do prefeito local na agenda enfatiza o clima de tensão entre ambos. Infelizmente, esse embate reflete a crescente dificuldade de diálogo e convivência entre os diferentes setores da política brasileira.
Herbert Santos, agora Procurador-geral de Justiça, enfrenta a missão de lidar com as insatisfações internas que surgem em decorrência de sua nomeação, que ignorou a preferência da maioria no Ministério Público. Embora a escolha não siga uma regra formal, é essencial dar tempo para que a nova gestão mostre seu valor e eficiência.
