Iniciativa Enriquecedora para Estudantes
No início de 2026, a Escola de Tempo Integral (ETI) Professora Hildete Brasil de Sá Cavalcante, localizada no Mondubim, Fortaleza, proporcionou uma experiência singular para seus alunos. A primeira aula do ano não ocorreu dentro das quatro paredes da escola, mas sim a centenas de quilômetros de casa. Um grupo formado por 36 alunos e quatro educadores fez uma viagem ao Cariri, onde puderam vivenciar aulas de campo em locais que são verdadeiros tesouros históricos, culturais e ambientais. O embarque aconteceu na quarta-feira, dia 14 de janeiro, e o retorno ocorreu no sábado, dia 17 de janeiro.
Essa ação faz parte do projeto Aprender Viajando, uma nova iniciativa promovida pela Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria Municipal da Educação (SME). O objetivo é ampliar as experiências pedagógicas dos estudantes, permitindo que aprendam na prática, além do que é ensinado em sala de aula.
Fortalecendo Teoria e Prática
A edição inicial do projeto, que começou em dezembro de 2025, beneficiou mais de 1.200 alunos, sendo que 557 deles eram dos anos iniciais do Ensino Fundamental e 645 dos anos finais, além de participantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O Aprender Viajando foi idealizado para reforçar a conexão entre teoria e prática, além de enriquecer o repertório social e cultural dos estudantes, visando também a melhoria dos índices educacionais da capital. A SME arca com todos os custos das viagens, incluindo transporte, alimentação e ingressos.
Uma das professoras que acompanhou os alunos, Ana Luisa da Silva Freires, docente de Ciências, destacou que a escolha do Cariri se deu pela sua rica diversidade histórica, cultural e ambiental. “Elaboramos um cronograma que tornasse palpável o que discutimos em sala de aula. Por exemplo, a Trilha do Belmonte oferece a oportunidade de dialogar sobre biomas, vegetação e biodiversidade, além de abordar a inclusão, já que é a primeira trilha inclusiva da Floresta Nacional do Araripe”, relata. A estudante Maria Sofia Sales Freitas também compartilhou sua percepção: “Foi uma experiência incrível. Eu já conhecia o Cariri pelo nome, mas não tinha tido a chance de conhecê-lo pessoalmente. Adorei!”, afirmou.
Aprendizados que Vão Além do Currículo
A educadora Ana Luisa enfatizou que os benefícios da viagem transcenderam o aprendizado acadêmico. “Os alunos desenvolveram habilidades como comunicação, organização e disciplina. Para muitos, essa foi a primeira experiência de viagem a um local tão distante, o que exigiu autonomia”, pontua. “Acompanhar esse processo foi extremamente enriquecedor. O Aprender Viajando possui um potencial imenso para aproximar os alunos da realidade de outras cidades e culturas diferentes”, acrescentou.
Ícaro Santos Alves, aluno do 9º ano e frequentador da ETI desde o 6º ano, avaliou a experiência como “incrível e única”. Ele destacou que as atividades se conectaram diretamente ao conteúdo de Geografia, Ciências e Cultura estudados em sala. “Observamos os relevos do Cariri, o clima mais ameno e as vegetações e animais que são únicos em diferentes regiões do Ceará, além das interações entre a história e a cultura locais”, afirmou.
Para Maria Sofia, do 8º ano, um dos momentos mais marcantes da viagem foi a visita ao Horto do Padre Cícero. “O que já tinha aprendido sobre como o clima muda de acordo com a localização se concretizou ali. Essa viagem foi realmente enriquecedora para mim!”, concluiu.
Sobre o Projeto Aprender Viajando
O Aprender Viajando teve um início voltado para turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, que finalizaram suas atividades em dezembro do ano passado. Os roteiros incluíram visitas a importantes pontos históricos e culturais de Fortaleza, como o Parque Estadual do Cocó, o Parque Ecopoint, o Centro de Formação Olímpica (CFO) e o Museu da Imagem e do Som do Ceará, entre outros locais significativos do patrimônio natural e cultural da cidade.
Para os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, as atividades do projeto continuam até março deste ano, com a programação da última turma ainda por embarcar. As excursões abrangem diversas regiões do Ceará, incluindo a Serra da Ibiapaba, o Maciço de Baturité, o Cariri e o Sertão Central, além de outros destinos sugeridos pelas próprias escolas. Nesta primeira edição, o projeto abrange 30 turmas: 15 dos anos iniciais e 15 dos anos finais e EJA, com a seleção das turmas realizada através de um edital e avaliadas por uma comissão composta por representantes dos Distritos e da Secretaria Municipal da Educação (SME).
