A Invisibilidade Feminina nas Candidaturas
A análise das enquetes eleitorais divulgadas por diversos blogs do Cariri e amplamente discutidas nas redes sociais traz um dado alarmante: as mulheres praticamente não figuram como pré-candidatas a cargos de deputada estadual, deputada federal, senadora ou governadora. Essa realidade, que se verifica no Cariri, reflete um problema mais amplo, que se estende por todo o Ceará e, em grande medida, por todo o Brasil. A ausência feminina nos espaços de visibilidade política vai além do processo eleitoral, revelando uma questão estrutural de representação.
O paradoxo torna-se evidente quando se contrasta essa situação com os discursos frequentes de gestores e líderes políticos que afirmam apoiar a participação feminina. Na prática, no entanto, essas declarações não se traduzem em ações concretas, apoio partidário real ou estratégias efetivas para fortalecer a presença das mulheres nas disputas eleitorais. O discurso institucional, sem ações que o respaldem, acaba funcionando mais como um artifício de autopromoção do que como um verdadeiro instrumento de transformação social.
O Papel das Candidaturas Femininas
Em meio a esse cenário, surge uma indagação perturbadora: as mulheres que aparecem nas listas partidárias durante os períodos eleitorais são realmente candidatas competitivas ou meros expedientes formais para cumprir a cota de gênero estabelecida pela legislação? A experiência observada e as repetidas decisões da Justiça Eleitoral revelam que, muitas vezes, essas candidaturas são apenas uma fachada, criadas para completar as chapas e viabilizar as candidaturas masculinas.
A situação é ainda mais complicada pela nova dinâmica do sistema partidário, que enfatizou o individualismo nas classes dirigentes, frequentemente apoiadas por figuras proeminentes da política. A lógica interna dos partidos geralmente prioriza projetos pessoais e alianças de poder, relegando a promoção da igualdade de gênero a uma condição secundária, quando não apenas simbólica.
Violência Política de Gênero em Questão
Essa prática, sem dúvida, configura violência política de gênero. A cada eleição, as mulheres são manipuladas pelos partidos através do registro de candidaturas femininas fictícias, apenas para atender de forma superficial às exigências legais. Quanto ao consentimento, essas candidaturas podem variar entre candidatas involuntárias, induzidas, coagidas, voluntárias, aliadas, estrategistas ou mesmo desertoras. Em todas essas situações, há um denominador comum: a distorção do propósito democrático da cota de gênero.
Estar na política implica disputar poder e ocupar espaços que historicamente foram monopolizados por homens. Revelar as agressões enfrentadas pelas mulheres nesse ambiente suscita reflexões profundas, pois expõe a forma abusiva com que são tratadas em uma sociedade patriarcal. Essa dinâmica ressoa nas normas que moldam o sistema eleitoral brasileiro e configura o ambiente cultural dos partidos políticos, onde a sub-representação feminina não é exceção, mas sim a norma.
Enfrentar essa realidade é uma condição essencial para o fortalecimento da democracia no Brasil. Se a política é, de fato, um espaço de transformação social, é imprescindível que as mulheres sejam não apenas incluídas, mas também empoderadas para ocupar posições de decisão e influência. Somente assim será possível construir um futuro mais igualitário e representativo para todos.
