Integração de Serviços de Saúde e Odontologia
A recentíssima movimentação do Bradesco no setor de saúde, com a criação da Bradsaúde, promete redefinir as operações nesta área. A nova estrutura não apenas busca aprimorar a oferta de serviços, mas também representa uma estratégia de verticalização significativa. A operação, que envolve a incorporação da Bradesco Gestão de Saúde (BGS) pela Odontoprev, visa integrar serviços de saúde e odontologia, seguindo um modelo já adotado pelos principais concorrentes do mercado.
Com a mudança, a Odontoprev, que já possui ações listadas na B3, passará a ser nomeada Bradsaúde S.A. O objetivo é expandir o escopo de atuação da empresa, que deixará de focar exclusivamente em planos odontológicos. A nova estrutura permitirá um controle mais amplo sobre o ecossistema de saúde do grupo, que abrange planos médicos, rede hospitalar própria, clínicas e parcerias com empresas do setor, como o Grupo Fleury.
Perspectivas de Mercado
De acordo com Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, a expectativa é que a nova companhia atinja um valor de mercado inicial em torno de R$ 52 bilhões. Este número, segundo Noronha, pode oscilar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, sendo a cifra mais próxima da máxima a mais cogitada entre analistas financeiros.
Após o anúncio, as ações da Odontoprev tiveram um aumento de mais de 20% logo no início do pregão, indicando uma resposta positiva do mercado. Especialistas do setor de saúde analisam que essa mudança amplia o potencial de crescimento da empresa e minimiza riscos, oferecendo uma diversificação maior nas frentes de atuação.
“A troca de uma operadora de nicho por uma gigante do setor, respaldada pela força do Bradesco, traz uma nova dimensão para os serviços oferecidos”, comentou Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos. Ele destacou que, com a nova estrutura, a empresa não se limitará ao mercado odontológico, mas também terá a capacidade de vender planos de saúde e administrar hospitais.
Crescimento e Expansão de Serviços
O Bradesco possui atualmente cerca de 4 milhões de segurados na Bradesco Saúde, enquanto a Odontoprev atende 9 milhões de beneficiários. Ivan Gontijo, presidente da Bradesco Seguros, ressaltou que a integração ao ecossistema de saúde permitirá uma ampliação nas oportunidades de comercialização, especialmente em segmentos ainda pouco explorados.
O grupo Bradesco contabiliza aproximadamente 6.600 leitos hospitalares, além de 35 clínicas, com investimentos em áreas como oncologia e laboratórios. Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco e da Odontoprev, considera a criação da Bradsaúde um divisor de águas para a organização, afirmando que ela se tornará o “mais completo ecossistema de saúde do Brasil”. O novo CEO da empresa será Carlos Marinelli.
Estratégia de Ações e Conformidades Legais
A operação que cria a Bradsaúde também se dará através de um IPO reverso, um modelo que permite que a Odontoprev, já listada na bolsa, absorva os ativos do Bradesco. Essa estratégia busca aumentar a visibilidade das operações de saúde e simplificar a estrutura societária, oferecendo uma gama integrada de serviços que unem planos médicos e odontológicos.
Além disso, a operação requer a emissão de mais de 2,3 bilhões de novas ações, elevando a participação do Bradesco no capital social da nova companhia de cerca de 53,6% para 91,35%. Contudo, a B3 impõe que haja um free-float de 25%, o que pode levar a uma futura oferta subsequente de ações, conforme explicou Noronha.
Ainda há etapas a serem cumpridas, como a aprovação das assembleias de acionistas e a validação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para que a operação seja finalizada. De acordo com Marinelli, o cronograma de implementação será seguido conforme os trâmites regulatórios.
Os custos estimados para a execução dessa operação são consideráveis, com a Odontoprev prevendo desembolsar R$ 10,5 milhões e o Bradesco cerca de R$ 300 mil para a cisão da Bradseg. Ambos os valores englobam honorários de assessorias, publicações e outros gastos relacionados.
Consultadas sobre a mudança, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) e a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) optaram por não se pronunciar.
