Esquema de Lavagem de Dinheiro e Supervalorização de Imóveis
Identificado como um dos colaboradores do banqueiro Daniel Vorcaro, o indivíduo conhecido como “Sicário” enfrenta sérias acusações do Ministério Público de Minas Gerais. Ele é investigado por liderar empresas de investimento que prometiam retornos exorbitantes, muito além do que o mercado financeiro poderia oferecer, levando a golpe em diversos investidores. A denúncia formal contra ele foi recebida pela Justiça em dezembro de 2021 e ainda aguarda seu julgamento. Entre os crimes atribuídos a “Sicário” estão organização criminosa, lavagem de dinheiro e práticas contra a economia popular.
Um dos aspectos mais intrigantes do suposto esquema de lavagem de dinheiro é o método utilizado para encobrir as operações. Os investigados simulavam a aquisição de imóveis em áreas rurais de Minas Gerais e, em seguida, buscavam empréstimos junto ao Banco Máxima (antigo Banco Master), utilizando a propriedade como garantia, que era deliberadamente supervalorizada em mais de 3.000%.
Por exemplo, a Diedro Empreendimentos, que figura como alvo da investigação, adquiriu um imóvel em Itamarandiba (MG) por R$ 465 mil. Após essa compra, a Diedro emitiu uma cédula de crédito bancário no valor de R$ 31,2 milhões, atribuindo ao bem um valor estimado de R$ 16,7 milhões, o que representa uma supervalorização impressionante de 3.341%. Os investigadores indicam que essa manobra foi utilizada para desviar recursos do alegado esquema criminoso.
Documentos obtidos da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) revelam que a Diedro Participações teve a empresária Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro, como sócia. O modus operandi do grupo criminoso é similar às fraudes financeiras que, supostamente, Daniel Vorcaro teria orchestrado no caso Master, que também envolviam movimentação de capital com base em ativos supervalorizados ou títulos não confiáveis usados como garantia para liberar bilhões em empréstimos.
Denúncia e Promoção de Investimentos Fraudulentos
A investigação do Ministério Público mineiro teve início após uma denúncia feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acerca da empresa Alcateia Investimentos. Esta companhia posteriormente transferiu sua carteira de clientes para a Maximus Digital, que contava com Mourão e sua família entre os sócios. Anúncios veiculados nas redes sociais prometiam retornos astronômicos, superiores a 987% ao ano, através da Alcateia Investimentos. Os clientes eram categorizados como “lobo alfa” ou “lobo pai”, sendo incentivados a recrutar amigos e familiares para formar suas respectivas “matilhas”, o que remete diretamente à estrutura de pirâmide da operação.
Na denúncia elaborada pela promotora Janaina de Andrade Dauro, foi afirmado que a “organização criminosa causou prejuízo milionário à economia brasileira”. De acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Mourão movimentou cerca de R$ 24,9 milhões em um período de três anos.
A defesa de “Sicário” não se manifestou até o momento sobre as alegações. Antes de uma tentativa de suicídio, ele optou pelo direito de permanecer em silêncio durante sua interação com a Polícia Federal.
O Papel de Mourão e as Ameaças a Jornalistas
No âmbito da operação Compliance Zero, Mourão é suspeito de atuar como coordenador de um grupo de WhatsApp denominado “A Turma”, criado para monitorar, coletar informações e intimidar aqueles que eram vistos como adversários de Daniel Vorcaro. A investigação sugere que Mourão tinha acesso a sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros para realizar consultas e acessar dados. Ele teria conseguido acessar, inclusive, sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de instituições internacionais como o FBI e a Interpol.
Em uma declaração divulgada por sua assessoria de imprensa, Daniel Vorcaro afirmou que nunca teve a intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas, alegando que suas mensagens foram mal interpretadas.
