Monitoramento por satélite impulsiona aquicultura no Ceará
Responsável por mais da metade da produção nacional de camarão, o Ceará deu um passo importante para o fortalecimento do setor ao mapear suas áreas de aquicultura por satélite. Em 2025, o estado identificou 16.233 hectares de espelhos d’água dedicados à atividade, distribuídos em 72 dos 184 municípios cearenses. Essa área corresponde a 0,1% do território estadual, com destaque para a Bacia do Baixo Jaguaribe, que concentra cerca de 46% do total, somando 7.487 hectares.
O levantamento foi realizado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), que registrou um crescimento anual de 6,1% desde 2023. Em 2024, a aquicultura no Ceará gerou uma receita de R$ 1,97 bilhão, um aumento de aproximadamente 25% em relação ao ano anterior, consolidando a importância econômica da atividade.
Como o satélite Sentinel-2 auxilia no controle da expansão
O monitoramento utilizou imagens de alta resolução do satélite Sentinel-2, com 10 metros de precisão, processadas pelo software QGIS. Cada tanque de cultivo foi mapeado manualmente e suas coordenadas cruzadas com as bacias hidrográficas, permitindo um acompanhamento detalhado da captação e uso da água, recurso essencial para a aquicultura.
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Manuel Rodrigues, gerente de Estudos e Pesquisas em Meio Ambiente da Funceme, explica que a precisão dos dados despertou o interesse da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE) para aprimorar o planejamento do setor. As imagens atualizadas anualmente substituem dados anteriores, que apresentavam divergências entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e associações privadas.
O crescimento da área cultivada é evidente: foram 14.603 hectares em 2023, 15.288 hectares em 2024, chegando a 16.233 hectares em 2025. Além da Bacia do Baixo Jaguaribe, as bacias do Coreaú e Metropolitana também apresentam áreas significativas, com cerca de 1.800 hectares cada. Entre os municípios, Jaguaruana e Aracati concentram quase um terço da área total, com 2.631 e 2.591 hectares, respectivamente.
Ceará mantém liderança na produção nacional de camarão e planeja expansão
Na carcinicultura, o Ceará lidera o país com 57,1% da produção nacional de camarão, seguido pelo Rio Grande do Norte, com 21,5%. O Nordeste responde por 99,7% da produção do crustáceo no Brasil, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. Aracati é o maior produtor, com 18 mil toneladas em 2024, representando 12,2% do total nacional, seguida por Jaguaruana, Russas e São João do Jaguaribe.
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A Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri) integrou o mapeamento às ações de sanidade animal e vegetal, promovendo reuniões técnicas para aprimorar o cadastro de produtores e estruturar locais de inspeção. Elmo Aguiar, presidente da Adagri, destacou a importância da certificação da produção e a criação de entrepostos para fortalecer o setor.
Além disso, a SDE transformou o levantamento em uma plataforma de Business Intelligence (BI), com 11 painéis atualizados diariamente e disponíveis para consulta pública no site da secretaria. O sistema cobre os 184 municípios cearenses e tem potencial para sustentar um censo permanente da atividade.
Pedro Lopes, técnico da SDE, apontou que a ferramenta oferece diversas possibilidades: desde ajudar empresários a identificar locais estratégicos para instalação de fábricas até auxiliar produtores na identificação de gargalos logísticos e áreas para expansão segura. O Estado também ganha precisão no gerenciamento da água e no planejamento da infraestrutura rodoviária e industrial. O estudo foi apresentado recentemente na PEC Brasil 2026, em Fortaleza.
