Um Encontro com a Poesia
Quem nunca teve um certo receio ao se deparar com a poesia? Gregório Duvivier definitivamente não faz parte desse grupo. Com uma paixão contagiante, ele se empenha em convencer o público sobre as belezas e nuances desse gênero literário, até mesmo apresentando um espetáculo que gira em torno desse tema. Em “O Céu da Língua”, o artista utiliza seu carisma e eloquência para mostrar que, no nosso dia a dia, estamos cercados de poesia, tornando a experiência leve e divertida.
O espetáculo fez sua estreia em Portugal no início de 2024 e, em fevereiro de 2025, desembarcou no Brasil, onde já acumulou mais de 140 mil espectadores em uma turnê que rendeu diversas sessões extras. “A poesia é uma fonte de humor involuntário, um verdadeiro motivo de riso”, reflete Duvivier, que tem em sua bagagem acadêmica uma formação em Letras pela PUC do Rio de Janeiro e é autor de três livros dedicados ao tema. “Criei uma peça que pode ajudar as pessoas a entenderem melhor a mensagem dos poetas, e para isso, é preciso mudar a forma de visualizar a leitura”, completa.
Uma Direção Criativa
A direção do espetáculo fica por conta de Luciana Paes, uma antiga colaboradora de Duvivier nos improvisos de “Portátil”. A cenografia é assinada por Dina Salem Levy, enquanto Pedro Aune, no contrabaixo, proporciona a trilha sonora que embala a apresentação. Theodora Duvivier, irmã do comediante, é responsável pelas projeções que enriquecem a experiência visual no palco. Luciana, ao falar sobre o espetáculo, afirma: “Acredito que o Gregório tem ideias valiosas a compartilhar, e isso me motiva independentemente de qualquer categorização.” Ela, que é uma das fundadoras da renomada Cia. Hiato, faz sua estreia como diretora teatral.
Embora “O Céu da Língua” não se trate de um recital tradicional, onde se escutariam poetas como Castro Alves ou Fernando Pessoa, Luciana assegura que a dramaturgia de Duvivier é repleta de poesia, mesmo que se situe dentro de um formato de “stand-up comedy com pegadinhas”. “Gregório, com seu jeito simpático e divertido, caminha lado a lado com seu lado intelectual e reflexivo. É essa dualidade que convida a plateia a embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Graças ao talento de ator que ele possui, consegue captar a atenção do público de maneira surpreendente.”
Poesia no Cotidiano
A linguagem é um acordo social, e, se compreendemos, estamos em sintonia. Desde pequeno, Gregório nutre uma verdadeira obsessão pela palavra e pela comunicação. No palco, ele joga com códigos que muitas vezes só são decifrados por laços familiares ou românticos. O artista se diverte com as reformas ortográficas que eliminam letras e acentos que alteram significados. Ele também traz à tona a revitalização de palavras que estavam esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que agora têm novos significados entre os jovens.
Além disso, o comediante cria humor a partir de termos inusitados, como “aftas” ou “seborreia”, e expressões que se tornaram clichês, como “namorido” ou “almojanta”. Para Duvivier, a língua é uma força que nos une e que, muitas vezes, não damos a devida atenção. Ele menciona metáforas do cotidiano, como “batata da perna” e “céu da boca”, ressaltando que usamos poesia sem perceber.
Uma Homenagem à Língua Portuguesa
Gregório também homenageia grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, citando canções como “Chão de Estrelas” e “Livros” durante a apresentação. “Nossos compositores conseguiram transformar o sonho de Oswald de Andrade em realidade ao levar a poesia para as massas”, celebra Duvivier.
Com uma cumplicidade crescente com a plateia, Duvivier demonstra que a poesia não é algo hermético, fazendo uma menção especial a Portugal, país que deu ao Brasil sua língua. Além de Fernando Pessoa, ele recorda também Eugênio de Andrade e revela que “O Céu da Língua” tem suas raízes na apresentação “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”, onde ele e o humorista Ricardo Araújo Pereira improvisaram sobre a língua que os conecta.
Detalhes do Espetáculo
“O Céu da Língua” conta com a seguinte equipe criativa:
- Texto: Gregório Duvivier e Luciana Paes
- Interpretação: Gregório Duvivier
- Direção: Luciana Paes
- Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune
- Assistente de direção e projeções: Theodora Duvivier
- Iluminação: Ana Luzia de Simoni
- Cenografia: Dina Salem Levy
- Assistente de cenografia: Alice Cruz
- Figurinos: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente
- Visagismo: Vanessa Andrea
- Designer gráfico da publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David
- Identidade visual de divulgação: Laercio Lopo
- Comunicação: Raquel Murano
- Marketing digital: Renato Passos
- Assessoria de Comunicação: Pedro Neves
- Fotos: Demian Jacob, Priscila Prade, Joana Calejo Pires e Raquel Pelicano
- Diretor técnico: Lelê Siqueira
- Diretor de palco: Reynaldo Thomaz
- Técnico de som: Dugg Mont
- Assistente de palco: Daniela Mattos
- Gerente de Projetos: Andréia Porto
- Assistente de produção: João Byington de Faria
- Produção executiva: Lucas Lentini
- Direção de produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha
- Produção: Pad Rok
