Movimentações no Cenário Político de Santa Catarina
O senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista (PP), manifestou-se sobre as articulações para que a deputada Carol De Toni (PL-SC) e o ex-vereador Carlos Bolsonaro integrem a chapa bolsonarista na disputa pelo Senado em Santa Catarina. Nos últimos dias, aliados que estiveram próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu período na prisão relataram que ele sugeriu a candidatura de De Toni e Carlos, o que contrasta com a estratégia política do governador Jorginho Mello (PL) e da cúpula do partido. Estes últimos buscam manter as definições das vagas majoritárias em aberto para acomodar alianças locais.
As tensões aumentaram quando Carlos Bolsonaro, por meio de suas redes sociais, publicou uma imagem ao lado da deputada federal Caroline de Toni. A parlamentar havia sido deixada de lado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que apostava na candidatura de Carlos e no senador Espiridião Amin (PP) para as eleições de outubro. De Toni, percebendo a falta de espaço na chapa, sinalizou que poderia deixar o PL e começou a receber apoio público da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Ciro Nogueira e a Defensiva da ‘Palavra’
No último sábado, Ciro Nogueira utilizou suas redes sociais para compartilhar uma reportagem que mostrava De Toni solicitando uma carta de apoio de Bolsonaro para permanecer no PL. Em sua postagem, Nogueira enfatizou: “Nós dos Progressistas somos do tempo em que acreditamos em PALAVRA!!!!!!”. Essa declaração reforça a importância que ele atribui ao comprometimento político, especialmente em tempos de incerteza.
Parlamentares e dirigentes partidários envolvidos com a situação afirmam que Bolsonaro começou a considerar o cenário em Santa Catarina como praticamente definido dentro de seu núcleo político. A percepção que ele transmitiu a seus aliados é a de que tanto De Toni quanto Carlos representam diretamente o grupo político mais alinhado com a família na disputa senatorial.
Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado, comentou a situação após uma visita a Bolsonaro, afirmando que “Santa Catarina está resolvida: Carol de Toni e Carlos Bolsonaro”. Esta declaração também desconsidera o carinho que Bolsonaro tem pelo senador Espiridião Amin, que não faz parte da chapa bolsonarista.
Crise Interna no PL e Futuro Político de Carol De Toni
A crise interna no PL catarinense complica a situação de Carol De Toni, que não tem garantias de espaço na chapa ao Senado. A deputada compartilhou com dirigentes da legenda que poderia considerar a possibilidade de se filiar a outro partido se não obtiver apoio adequado. Embora esse movimento ainda não tenha sido oficializado, há negociações com pelo menos seis legendas, incluindo o Novo, PSD, MDB, Podemos e Avante.
Fontes próximas a De Toni afirmam que a deputada cobrou uma manifestação explícita de apoio de Bolsonaro a seu projeto eleitoral, especialmente diante da resistência do grupo ligado a Jorginho Mello. O governador está estrategicamente tentando preservar uma segunda vaga ao Senado, o que levou seus aliados a sugerirem que De Toni poderia ser preterida.
Apoio Continuado e Perspectivas Futuras
Apesar do impasse em sua situação regional, De Toni mantém um diálogo próximo com a família Bolsonaro e continua a contar com o apoio da ex-primeira-dama. Nos corredores do PL, a interpretação é de que as manifestações de Bolsonaro têm a intenção de evitar a saída da deputada da legenda.
Aliados do ex-presidente também percebem que Jorginho Mello desfruta de uma boa aprovação no estado, o que diminui a necessidade de utilizar a vaga ao Senado como uma ferramenta de negociação. Essa realidade abre espaço para uma chapa pura, sem alianças externas.
Por outro lado, o senador Espiridião Amin (PP), que busca a reeleição, tem deixado claro que pretende concorrer novamente, independentemente das definições que o PL possa tomar.
