Conflito em debate na USP sobre mulheres trans em presídios masculinos
Um embate intenso marcou um debate na Universidade de São Paulo (USP) quando a candidata ao governo de São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), Izadora Dias, defendeu que os presídios devem ser organizados segundo o sexo biológico, argumentando que mulheres trans geram riscos às apenadas. A declaração, feita durante evento promovido pelo Centro Acadêmico Emílio Ribas (CAER), provocou reação imediata de estudantes presentes, gerando um bate-boca.
Izadora argumentou que há denúncias frequentes de ameaças e violência sexual contra mulheres presas devido à presença de transexuais em unidades femininas. Ela destacou diferenças biológicas entre homens e mulheres, como a capacidade de gestação e amamentação, e classificou como “negacionismo” qualquer contestação desses fatos. O vídeo do momento foi divulgado pela candidata em sua conta no Instagram, com a participação de outros postulantes ao governo estadual.
Reação dos estudantes e acusações de transfobia
Uma estudante do CAER, que organizava o debate junto com a Associação Paulista de Saúde Pública e a Faculdade de Saúde Pública da USP, rebateu a fala da candidata afirmando que não há diferenças comprovadas cientificamente entre homens e mulheres. Ela alertou que a declaração de Izadora poderia configurar crime de transfobia, previsto na lei do racismo, o que a torna inafiançável e imprescritível.
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Sem recuar, Izadora Dias reafirmou a posição do PCO, dizendo que o partido não modifica suas convicções para agradar a opinião pública. O ambiente ficou tenso, com xingamentos direcionados à candidata, que questionou a defesa da democracia e apontou contradições nas acusações, mencionando o contexto político estadual, incluindo a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a possibilidade de Flávio Bolsonaro ganhar de Lula.
Os estudantes chegaram a acionar a polícia, que não compareceu ao local, sendo recomendada a formalização de um Boletim de Ocorrência. A discussão evidenciou a polarização em torno do tema da identidade de gênero e segurança em presídios.
Posicionamentos oficiais sobre o episódio
O Centro Acadêmico Emílio Ribas divulgou nota criticando Izadora por descontextualizar o debate para autopromoção, rejeitando a propagação de estereótipos violentos contra grupos marginalizados e reafirmando o compromisso com o respeito à dignidade e existência de todos.
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Fonte: diretodecaxias.com.br
USP e Faculdade de Saúde Pública também se manifestaram em nota conjunta enviada à Folha de S.Paulo, reafirmando a importância do debate democrático e da pluralidade de opiniões, sem, no entanto, concordar com todas as manifestações ocorridas durante o evento.
O PCO, por sua vez, publicou artigo em seu veículo oficial relatando episódios semelhantes em universidades públicas de Brasília e Santa Catarina, criticando o uso da acusação de transfobia como instrumento para deslegitimar adversários e silenciar posições contrárias.
