Um Olhar Sobre o Futuro da Educação
A cada final de ano, o ritual de avaliar o passado e planejar o futuro se repete, mobilizando profissionais de diversas áreas a refletir sobre o que pode ser feito para aprimorar a sociedade. Neste contexto, a educação se destaca como um dos setores que mais demanda atenção e inovação. Entretanto, mais do que simplesmente elaborar projetos, devemos nos ater ao desejo de transformação. Esse desejo nos convida a pensar além das metas estabelecidas e dos parâmetros rígidos que, muitas vezes, limitam a capacidade de sonhar e imaginar um futuro educacional melhor.
A professora titular da Faculdade de Educação da Uerj, Alice Casimiro Lopes, ressalta que as políticas educacionais costumam buscar padrões de previsibilidade e controle, o que pode ser problemático. O investimento em educação deve ser acompanhado da compreensão de que o ato de educar transcende as medidas quantitativas e exige uma abordagem mais sensível e humana. A educação que desejamos para 2026 deve ser pautada não apenas por resultados em exames, mas pelo envolvimento afetivo e pelas relações construídas na escola.
A Educação na Era da Incerteza
As políticas educativas frequentemente se restringem a modelos que não refletem a realidade das escolas. Assim, ao focarem exclusivamente em metas de aprendizado e na aplicação de informações neutras, correm o risco de desconsiderar o que realmente acontece no ambiente escolar. A educação é um campo que lida com o imprevisível, que se alimenta das experiências e subjetividades dos indivíduos. Ao ignorar esses aspectos, corre-se o risco de promover um ensino descolado da vida e das realidades que os alunos vivem.
Além disso, a educação deve ser um espaço de acolhimento das diferenças, onde a diversidade é celebrada e não combate. A resistência a essas diferenças pode gerar um ambiente hostil, onde identidades são deslegitimadas. Para a educação que se almeja em 2026, é fundamental promover um compromisso com a diversidade e a inclusão, investindo em condições dignas de trabalho para os educadores e valorizando suas contribuições.
Transformando Desafios em Oportunidades
O desejo de uma educação mais justa e democrática implica uma mudança de mentalidade nas políticas educacionais. Isso significa abandonar a crença de que todas as escolas devem ensinar o mesmo conteúdo de maneira homogênea. Pelo contrário, cada escola deve ser um reflexo de seu contexto social, econômico e cultural. Portanto, é essencial que haja um maior investimento nas condições de trabalho e nos salários dos docentes, além de um compromisso genuíno em reconhecer e respeitar as diferenças que permeiam as comunidades escolares.
Para alcançar esse objetivo, é necessário um engajamento coletivo que não se restrinja apenas ao ambiente escolar, mas que se estenda à sociedade como um todo. Isso inclui a promoção de diálogos sobre questões sociais e políticas, e a atuação em prol da justiça social. É preciso que as políticas de educação se articulem com ações que combatam desigualdades, e que busquem construir um ambiente onde todos possam se sentir seguros e valorizados.
Um Chamado à Ação
Assim, os desejos para a educação em 2026 não se resumem apenas a propostas de mudança, mas devem ser um chamado à ação. Devemos nos unirmos em torno de um objetivo comum: transformar a educação em um espaço de liberdade, respeito e acolhimento. A luta pela educação que desejamos requer coragem para desafiar normas estabelecidas e um compromisso inabalável com a construção de um futuro mais justo para todos.
