Uma Noite de Celebração e Memória
Em uma atmosfera repleta de fé e nostalgia, o Dia de Reis foi celebrado em grande estilo em Juazeiro do Norte. Na noite de terça-feira, 6 de janeiro, a Rua Santa Clara, diante da residência da saudosa Mestra Vanda, acolheu a tradicional Queima das Palhinhas, que selou o encerramento oficial do Ciclo de Reis no município, simbolizando a despedida das festividades natalinas.
“Este é um momento ímpar da nossa cultura. Estamos relembrando e prestando homenagem à Mestra Vanda, que nos deixou, mas deixou um legado que continuaremos a preservar com fé e determinação. A Lapinha Santa Clara estará sempre presente. Agradecemos a todos que compareceram e tornaram este momento tão especial em nossa história”, ressaltou o Mestre Ligeirinho, representante da Lapinha Santa Clara.
Este evento marcou o primeiro Ciclo de Reis sem a presença física da Mestra Vanda, que foi homenageada durante a celebração. Mestres e brincantes que participaram da festividade receberam uma comenda em nome da mestra, em reconhecimento à sua inestimável contribuição para a conservação dessa tradição.
Apresentações Culturais e a Presença do Folclore
Além da apresentação da Lapinha Santa Clara, outras lapinhas, como a Nossa Senhora Auxiliadora e a Bom Jesus do Horto, também se apresentaram. Durante um intervalo entre as performances, o Reisado São Miguel, que estava a caminho de outras apresentações programadas para a mesma noite, passou pelo local e animou o público com sua energia vibrante. A presença do Jaraguá, uma figura folclórica emblemática do reisado nordestino, também encantou os espectadores, provocando aplausos e intensificando o clima festivo. “Olha quem chegou, meu Jaraguá! Esse bichinho é realmente adorável e sabe como alegrar a todos”, comentou um dos presentes.
O secretário municipal de Cultura, Renato Wilamis, enfatizou a importância de encerrar o Ciclo de Reis com a Queima das Palhinhas, destacando a força da fé, da memória e da cultura popular que permeia Juazeiro do Norte. “Este foi um momento de profunda emoção, especialmente por ser o primeiro ciclo sem a presença física da Mestra Vanda, uma verdadeira guardiã dessa tradição que deixou um legado inestimável para o Cariri. As homenagens e a participação dos mestres e brincantes demonstram o compromisso do nosso município em preservar essas manifestações que atravessam gerações e mantêm viva a identidade de nosso povo”, afirmou.
Honrando a Tradição de 114 Anos
Durante as festividades, a Lapinha Santa Clara celebrou 114 anos de existência, sendo reconhecida como a lapinha mais antiga do Cariri. Fundada sob a orientação do Padre Cícero, sua história é marcada por três mestras: a fundadora Teodora, sua filha Tatai e a neta Vanda Pereira da Silva, que faleceu em março de 2025. No momento, a coordenação está a cargo do Mestre Ligeirinho, viúvo da Mestra Vanda, que lidera cerca de 30 brincantes.
Na Queima das Palhinhas, as palhas que compunham o presépio foram queimadas ao som de ladainhas, enquanto os participantes faziam pedidos, expressavam agradecimentos e pagavam promessas para o novo ano que se inicia. O aroma característico que se espalhou pelo ambiente simbolizou renovação, fé e a despedida do ciclo natalino, deixando no ar um sentimento de esperança e renovação para o ano que se aproxima.
