Oportunidade para a Vitivinicultura no Espírito Santo
Pesquisadores do Espírito Santo estão em busca de áreas propícias para a produção de uvas de inverno, visando a elaboração de vinhos de alta qualidade. Essa iniciativa é fruto de uma colaboração entre o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/ES). O resultado desse trabalho é um mapeamento que indica as regiões com condições favoráveis para o cultivo de uvas no estado.
Antônio Elias Souza, diretor técnico do Incaper, explica que o mapeamento tem como propósito orientar o planejamento da produção e identificar as áreas mais aptas para a criação de uvas destinadas à elaboração de vinhos finos. A proposta considera a técnica da poda dupla, ou poda de inverno, que realoca o ciclo produtivo da videira para períodos mais adequados, favorecendo a qualidade dos frutos para a vinificação.
“Desenvolvemos também um projeto abrangente de pesquisa que visa trazer materiais genéticos de diversas regiões e estudá-los, ao longo dos anos, nas diferentes áreas indicadas pelo zoneamento para o cultivo de uvas de inverno”, detalha Antônio Elias.
Pesquisas e Variedades
Além do mapeamento das áreas adequadas, o Incaper estruturou um projeto de pesquisa para avaliar diversas variedades de uva em diferentes ambientes do território capixaba. O objetivo é trazer materiais genéticos de locais diversos e monitorar seu desempenho ao longo dos anos, identificando quais variedades se adaptam melhor às condições locais.
Contudo, essa etapa ainda não foi iniciada. A próxima fase depende da captação de recursos para a implementação dos estudos nas áreas identificadas. O Sebrae/ES, sob a liderança de seu superintendente, Pedro Rigo, está coordenando esforços para integrar pesquisa, inovação, vitivinicultura, assistência técnica e turismo rural.
A proposta, segundo Antônio Elias, pode abrir novas oportunidades de desenvolvimento econômico para os municípios capixabas, especialmente nas regiões onde o turismo rural já é incentivado pelo Sebrae/ES. “Esse trabalho é crucial, pois associa a vitivinicultura ao turismo, promovido pelo Sebrae, em diversas regiões do Espírito Santo, unindo planejamento, pesquisa e novas tecnologias para a produção de uvas de inverno”, assegura.
Desafios e Avanços
O Incaper assumirá a responsabilidade pelo suporte técnico da pesquisa, adaptação de tecnologias e identificação das áreas com maior potencial para a produção de uvas voltadas à vinificação. A Fazenda Experimental do Estado, situada no trevo de Afonso Cláudio, já foi escolhida como a base para os estudos.
Pedro Rigo informa que o Sebrae/ES está comprometido em assegurar a viabilidade técnica e financeira do projeto. Ele sublinha que o Incaper já cumpriu suas etapas iniciais, tendo realizado o mapeamento, contratado um pesquisador e definido a localização da fazenda experimental onde as pesquisas serão conduzidas. “O Sebrae está avançando para garantir a viabilidade do projeto. Caso os investimentos da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) não sejam disponibilizados, o Sebrae arcará com os custos necessários para a pesquisa”, enfatiza.
O superintendente também destacou que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) já se comprometeu em fornecer a assistência técnica necessária para o projeto. A integração entre as instituições é fundamental para a transição do planejamento para a prática no campo.
Uma Iniciativa Inovadora no Agronegócio
Após a captação de recursos, a etapa seguinte será a implementação dos estudos de materiais genéticos nas regiões identificadas pelo zoneamento. Isso permitirá que os pesquisadores analisem quais variedades se destacam em desempenho para a produção de vinhos de alta qualidade no Espírito Santo.
Michel Tesch, subsecretário de Desenvolvimento Rural do Espírito Santo, ressalta a relevância do apoio a projetos de pesquisa e extensão no agronegócio estadual. “Desde 2021, já são 144 projetos e mais de R$ 50 milhões em investimentos, todos cuidadosamente analisados e alinhados com nosso Planejamento de longo prazo (Pedeag 4)”, afirma. Ele destaca que, com cerca de 133 mil estabelecimentos rurais no estado, a iniciativa das uvas de inverno tem grande potencial para fomentar novos negócios, mesmo em seu estágio inicial.
Além disso, Tesch menciona que o Incaper já elaborou o mapeamento das áreas conforme os critérios da Associação Nacional dos Produtores de Uvas de Inverno para o uso da marca Vinho de Inverno, considerando fatores como altitude, temperatura e pluviometria. “É essencial entender como as cultivares de Vitis vinífera se comportarão nessas áreas do Espírito Santo, por isso a necessidade de um projeto de pesquisa e extensão”, conclui.
