Clube Cearense em Negociações para Retomar Futebol Feminino
Uma semana após anunciar a suspensão das atividades do futebol feminino, o Fortaleza já se encontra em negociações para retomar o projeto. Fontes ligadas ao Bahia Notícias revelaram que o clube cearense está conversando com o R4 Esporte Clube, uma equipe de futebol feminino sediada em Juazeiro do Norte (CE) e fundada pelo ex-zagueiro Ronaldo Angelim, que foi um ídolo no Flamengo. O portal Lance! foi o responsável por divulgar inicialmente essas tratativas.
Internamente, a expectativa é de que as negociações se resolvam de forma positiva, permitindo que o clube faça um anúncio oficial em breve. Essa possibilidade surge logo após a decisão da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Fortaleza de encerrar as atividades do futebol feminino, uma medida tomada após uma reavaliação da estrutura esportiva e financeira do clube.
No comunicado anterior, o Fortaleza justificou que, embora tivesse tentado manter o futebol feminino, a situação econômica tornou inviável a continuidade do projeto. O clube está passando por um período de reestruturação, especialmente após o rebaixamento da equipe masculina para a Série B do Campeonato Brasileiro, o que levou a ajustes considerados essenciais para assegurar um equilíbrio financeiro e operacional.
De acordo com o documento oficial, a limitação orçamentária e a falta de recursos destinados exclusivamente para o futebol feminino, além das dificuldades em atender aos requisitos regulamentares das competições nacionais, foram fatores determinantes para a interrupção das atividades.
Essa decisão se contrasta com o desempenho da equipe feminina, conhecida como Leoas, que teve a melhor temporada de sua história em 2024. O time conquistou o Campeonato Cearense Feminino de maneira inédita, derrotando o Ceará, e assegurou uma classificação histórica para a Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino de 2025. Contudo, a diretoria concluiu que manter o elenco não seria viável no cenário atual.
Com a retirada da equipe da Série A1, o Fortaleza pode ficar impedido de participar de competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por dois anos, conforme prevê o Regulamento Geral de Competições da entidade. Essa situação abre espaço para movimentações nos bastidores do futebol feminino nacional.
Após a desistência do Real Brasília do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026, o Vitória se destacou como um dos principais candidatos a herdar uma vaga na elite da competição. O clube baiano está ao lado do Mixto-MT como favorito, seguindo os critérios de desempenho esportivo recente adotados pela CBF.
Em uma coletiva de imprensa realizada na última segunda-feira (5), o presidente do Vitória, Fábio Mota, abordou a possibilidade de participação e enfatizou que a questão financeira será crucial para viabilizar a presença na Série A1.
“Primeiramente, temos que viabilizar a questão financeira. Assim que soubemos da notícia, a primeira ação que tomamos foi planejar uma campanha de futebol feminino na Série A, que é mais dispendiosa que a Série B. Por isso, estamos dialogando com a Fatal Model para continuar com o Feminino. Estamos nos organizando, ainda não recebemos nada oficial e aguardamos essa decisão”, destacou Mota.
Além disso, o presidente ressaltou que o debate sobre o futebol feminino precisa ir além dos resultados esportivos. “Precisamos ter uma visão ampla sobre o futebol feminino: desde os patrocinadores, passando pela sociedade civil, a CBF e as federações. O futebol feminino fica em segundo plano porque não possui recursos. Hoje, ele depende do orçamento do futebol masculino, e isso não é o ideal”, concluiu.
