Francisco Beltrão Recebe Reconhecimento Internacional
No dia 17 de abril de 2026, Francisco Beltrão foi oficialmente integrado ao Programa Iberarquivos, uma iniciativa que conecta países ibero-americanos em uma rede de cooperação dedicada ao fortalecimento e apoio a arquivos. Este programa visa a preservação do patrimônio documental e o acesso à informação pública, um passo significativo para a valorização da memória cultural do Paraná.
A secretária da Cultura do Paraná, Luciana Casagrande Pereira, expressou seu orgulho em relação a essa conquista. Segundo ela, este projeto é um marco para a preservação da história da região e enfatiza a relevância das políticas públicas culturais no estado, especialmente a nível municipal. “O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, tem trabalhado desde o início da gestão na construção dos Sistemas Municipais de Cultura, assegurando infraestrutura e condições para que os municípios possam avançar em suas ações culturais. O que vemos em Francisco Beltrão é um exemplo claro desse esforço, que amplia o acesso a recursos e fortalece iniciativas fundamentais para a preservação da nossa memória documental”, afirmou.
A secretária também acentuou que a evolução institucional do município foi crucial para a aprovação do projeto. “Quando iniciamos nosso trabalho, Francisco Beltrão ainda carecia de um sistema cultural estruturado. Atualmente, o município possui todos os instrumentos necessários, garantindo mais organização e oportunidades para artistas e para a população”, completou.
Francisco Beltrão: Referência em Preservação Documental
A diretora de Cultura de Francisco Beltrão, Franciele Thomaz, ressaltou a importância dessa conquista, destacando que o município se tornou uma referência internacional em preservação documental. “A aprovação de nosso projeto neste prestigiado prêmio internacional não é apenas um feito administrativo, mas sim um resgate da nossa identidade. Estamos falando do DNA do Sudoeste do Paraná”, declarou.
Thomaz também mencionou o apoio contínuo recebido do Governo do Estado e do agente regional de cultura designado pela Secretaria de Estado da Cultura, Gabriel Elvas. “Francisco Beltrão amadureceu institucionalmente. Saímos de uma realidade sem um Sistema de Cultura estruturado para um município que agora possui todas as ferramentas públicas necessárias para participar e vencer editais internacionais”, enfatizou.
Essa edição da convocatória do Programa Iberarquivos também mostrou um crescimento na participação de projetos brasileiros, com quatro propostas aprovadas, um a mais que no ciclo anterior, sinalizando um aumento na qualidade e competitividade das iniciativas culturais do Brasil.
Uma História de Luta e Conquista
A história da Colônia Agrícola Nacional General Osório (CANGO) remonta a 12 de maio de 1943, quando foi criada durante o governo de Getúlio Vargas, como parte das políticas de colonização do Brasil. Situada no que hoje é Francisco Beltrão, a colônia desempenhou um papel decisivo na organização do território e no assentamento de famílias agricultoras, oferecendo infraestrutura e suporte técnico aos migrantes.
A partir da criação da CANGO, o povoamento do Sudoeste do Paraná começou a se consolidar, embora a região tenha enfrentado conflitos fundiários nas décadas seguintes, como a Revolta dos Posseiros em 1957. O historiador do Museu Paranaense, Felipe Villas Bôas, observa que o episódio foi um marco na luta pelo direito à terra no âmbito da agricultura familiar. “Embora a CANGO tenha contribuído para a organização dos assentamentos, também gerou instabilidade fundiária, com propriedades sem a titulação adequada. Enquanto os agricultores estabeleciam suas famílias e plantações, empresas começaram a adquirir terras já ocupadas, dando início a conflitos na região”, explica.
