Avanços na Saúde Pública do Ceará
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará, conhecido como Hemoce, comemorou um marco importante: o envio de 200 mil litros de plasma à Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). Este envio é fundamental para a produção de medicamentos essenciais destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A distribuição abrange o plasma não utilizado em transfusões, que é direcionado para a fabricação de hemoderivados.
O plasma, uma parte líquida do sangue, desempenha um papel crucial no tratamento de várias condições clínicas, especialmente em casos de hemorragias severas. Além disso, é vital na produção de medicamentos como albumina, imunoglobulina e os fatores de coagulação VIII e IX, que são essenciais para pacientes com distúrbios hemorrágicos e imunológicos.
História do Envio de Plasma
A iniciativa de envio do plasma teve início em 2022, quando o hemocentro de Fortaleza foi qualificado para realizar esse procedimento. Com a coleta do material na capital e no Hemoce Quixadá, os progressos foram notáveis. No mesmo ano, a unidade de Sobral também começou a enviar plasma para a Hemobrás. Em 2024, foi a vez do hemocentro de Crato se juntar a essa importante missão, coletando plasma em Juazeiro do Norte e Iguatu.
Com todas as unidades agora habilitadas, o Ceará se tornou pioneiro no Brasil ao contar com uma hemorrede pública totalmente certificada para essa finalidade. Este feito destaca o comprometimento do Hemoce com a política nacional de hemoderivados e com a assistência à saúde pública no estado.
Compromisso com a Qualidade
A diretora técnica do Hemoce, Denise Brunetta, explica a importância desse avanço: “Fomos o primeiro estado do Brasil a ter toda a produção de plasma qualificada para envio, o que comprova a excelência dos nossos processos. O uso integral do sangue doado para a produção de hemoderivados permite a criação de insumos essenciais para o tratamento de pacientes com coagulopatias hereditárias e deficiência de anticorpos, todos atendidos pelo SUS em todo o Brasil.”
O Papel do Plasma na Saúde
O plasma é fundamental para garantir o tratamento de diversas condições médicas. Após a coleta, ele é separado e congelado, preservando suas propriedades. Em situações de hemorragias graves, o plasma pode ser administrado por meio de transfusões. Além disso, ele é crucial na fabricação de hemoderivados como imunoglobulinas e fatores de coagulação.
Fracionamento e Sustentabilidade
Frederico Monteiro, auditor e responsável pelo Serviço de Relacionamento com a Hemorrede da Hemobrás, salienta que o encaminhamento do plasma excedente para fracionamento é uma estratégia vital para evitar desperdícios. Ele afirma que “o envio de plasma contribui para fortalecer a soberania e a segurança sanitária do país, permitindo maior controle sobre a cadeia produtiva, desde a coleta até a entrega dos medicamentos ao paciente.”
Segundo Monteiro, a regularidade no envio de plasma é vital para a produção dos medicamentos, cuja disponibilidade depende desse insumo. Ele ressalta que o envio de plasma excedente é uma estratégia fundamental para garantir a sustentabilidade e a segurança do sistema de saúde, assegurando que a população tenha acesso contínuo a medicamentos essenciais.
Medicamentos e Impacto no Tratamento
Os hemoderivados produzidos a partir do plasma é distribuído a pacientes do SUS que necessitam desses produtos, incluindo aqueles com hemofilia e outras coagulopatias. Luany Mesquita, diretora-geral do Hemoce, enfatiza que “o fortalecimento da produção de hemoderivados no Brasil é um grande ganho para as pessoas que precisam desses tratamentos, especialmente para os pacientes do Programa de Coagulopatias Hereditárias.”
Um exemplo real é o caso de Rafael Jeanderson, 39 anos, que recebe acompanhamento no Hemoce desde criança devido à hemofilia A. Ele relata que faz consultas regulares com médicos hematologistas no ambulatório de coagulopatias e utiliza o fator VIII de coagulação, essencial para prevenir sangramentos.
