Desvendando a Infiltração Criminosa
Em abril de 2024, Tatiana Medeiros, vereadora de Teresina pelo PSB, foi presa durante a Operação Escudo Eleitoral, da Polícia Federal, apenas quatro meses após assumir seu cargo. Este caso trouxe à tona uma grave questão: a infiltração de facções criminosas no financiamento de campanhas eleitorais, especialmente com práticas de corrupção previstas para as eleições de 2026.
Em uma entrevista ao G1, o desembargador Sebastião Martins, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), destacou que a infiltração de facções é uma preocupação crescente, também compartilhada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A movimentação de dinheiro em espécie, segundo ele, é um dos maiores desafios enfrentados pelas autoridades na tentativa de rastrear a origem dos recursos utilizados em campanhas.
“Saques contínuos e repetidos acendem a luz vermelha para o COAF, que monitora movimentações financeiras suspeitas e ajuda a identificar a procedência dos valores, especialmente em grandes quantias”, comentou Martins, ressaltando a importância do trabalho de inteligência financeira em operações eleitorais.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras, conhecido como COAF, desempenha um papel fundamental na prevenção de crimes como a lavagem de dinheiro. No caso de Tatiana Medeiros, o TRE formou uma comissão com três juízes para acompanhar o processo criminal que tramita, com previsão de julgamento em primeira instância para janeiro ou fevereiro.
Escândalos e Corrupção Eleitoral
O promotor Mário Alexandre, do Ministério Público Eleitoral, revelou em audiência que a campanha de Medeiros movimentou cerca de R$ 2 milhões de forma irregular. Além dela, outras oito pessoas estão sob investigação por corrupção eleitoral e formação de organização criminosa.
Outro desafio que se apresenta para a fiscalização das eleições é o uso crescente de tecnologias como deepfake, perfis falsos e inteligência artificial para desinformação. De acordo com o desembargador Martins, as autoridades estão atentas a essas práticas, que têm potencial para influenciar negativamente a opinião pública e a integridade das eleições.
A técnica de deepfake permite uma manipulação sofisticada de vídeos e imagens, criando conteúdos que podem facilmente enganar o eleitor. Para combater esse fenômeno, o TRE-PI planeja criar uma Comissão de Fiscalização da Propaganda Eleitoral, com magistrados designados para atuar até fevereiro, garantindo agilidade na análise e julgamento de casos suspeitos.
Colaboração das Big Techs
As grandes empresas de tecnologia, populares conhecidas como big techs, também devem ser parceiras nesse esforço. Martins explicou que, assim como ocorreu nas eleições passadas com a Meta, um apoio será estruturado, permitindo que as decisões judiciais sejam rapidamente comunicadas às plataformas para a remoção de conteúdos ilegais e perfis falsos.
Além disso, em 2025, houve cassações de mandatos de parlamentares devido a fraudes nas cotas de gênero em municípios como Assunção do Piauí. A legislação exige que pelo menos 30% das candidaturas sejam de mulheres, uma norma que, em alguns casos, foi burlada com candidaturas fictícias, que, muitas vezes, não recebem votos.
Martins sublinhou que essas candidaturas são um crime, pois recebem recursos do fundo eleitoral, mas não têm efetiva participação no processo. “É essencial que o TSE adote parâmetros de julgamento claros, pois não faz sentido uma mulher ter apenas um voto ou nenhum em sua candidatura, quando muitas vezes ela nem aparece na propaganda política”, concluiu.
As próximas eleições prometem ser um campo de batalha complexa e desafiadora no combate à corrupção e à desinformação, exigindo um esforço conjunto de órgãos públicos, tecnologia e sociedade civil.
